segunda-feira, 18 de maio de 2026

A “defesa” de Flávio Bolsonaro é ridícula e inaceitável

 

O imbróglio no qual se encontra atolado o senador Flávio Bolsonaro é indefensável e, em situações normais, deveria conduzir o Senado a iniciar um procedimento administrativo disciplinar para a apuração, em tese, de possível improbidade administrativa ou, na melhor das hipóteses, de falta de decoro parlamentar.

Um senador da República, no pleno exercício de suas funções, não pode servir ao papel de arrecadador de fundos privados para nenhum tipo de iniciativa, cultural ou não, e muito menos ainda quando a iniciativa se refere a prestar louvor ao próprio pai. A admiração filial é natural mas o presente ao pai deve ser custeado pelo próprio bolso.

O que não pode é um parlamentar visitar milionários com o intuito de intermediar investimentos vultosos para uma iniciativa privada, um filme cujo propósito é louvar um político ainda vivo e, pior, que possui a qualidade pouco invejável de ser presidiário após condenação criminal. Tal intermediação, praticada pelo senador, atenta contra os princípios públicos da impessoalidade, da moralidade e da transparência (publicidade).

O conflito de interesses é evidente e o fato de ocupar o cargo de senador da República é por si um modo de coação daquele a quem se pede a doação. Se qualquer um do povo se dirigir a um milionário para pedir cinco mil reais para um sopão dos pobres, ele provavelmente vai rir da cara do pedinte. Se o pedido vier de um senador da República, o milionário, apesar de insatisfeito, doará sem hesitar dezenas de vezes mais, para garantir que não haverá rancor e retaliação.

sábado, 25 de abril de 2026

Mensagem para os meus amigos

 


Publicado originalmente no Facebook, em 20/03/2015 

Hoje em dia praticamente não utilizo mais o Facebook como um meio de inter-relação de amizade. Resolvi deixar isso para o mundo físico, para o contato real e visual, como sempre foi até poucos anos atrás. O Facebook constitui para mim, atualmente, apenas um canal de troca de informações e ideias sobre a política nacional, através do qual divulgo textos de minha autoria e também de outras pessoas, que considero importantes para reflexão.

Contudo, hoje farei uma exceção para dirigir-me aos meus amigos e familiares reais, de carne e osso, não virtuais.

Pertenço à classe média e maior parte de vocês, meus amigos, também.

Essa mesma classe média que tem se colocado contra o governo do PT.

Nada contra, faz parte do jogo democrático ser contra um partido e desejar que outro seja escolhido para governar. Fiz isso a vida toda. Os partidos políticos existem para isso mesmo, para representar as diversas formas do pensar político da sociedade. Democracia é isso: é o cidadão possuir o direito sagrado e inalienável de opção quanto àquilo que considera o melhor caminho para a sociedade.

Do mesmo jeito, realizar manifestações, greves e passeatas é o jogo jogado da liberdade de expressão. O cidadão tem o direito de exteriorizar sua insatisfação com o projeto político que está em andamento.

Todavia, existem limites insuperáveis nesse jogo político. Um desses limites é a exteriorização de preconceitos, de falta de humanidade, de sensibilidade pela dor do outro ser humano e de clamor pela vinda de um regime de exceção, de uma ditadura.

sexta-feira, 27 de março de 2026

A invasão da Venezuela e a ameaça à supremacia do mundo civilizado

 

Publicano no jornal GGN em 13/01/26, às 10:38

 A invasão da Venezuela define um marco histórico negativo com significado geopolítico ainda mais grave do que os conflitos de Palestina ou Ucrânia. Não que se esteja pondo em dúvida a gravidade do genocídio palestino, que é indubitavelmente gravíssimo e indesculpável, ou da quebra da soberania ucraniana, que, ao fim e ao cabo, certa ou não, trata-se de resposta da Rússia às sucessivas quebras dos acordos encetados com os países da Otan.

O que se coloca é que, sob o ângulo das relações internacionais, a invasão da Venezuela expõe um perigo imperialista muito maior e difuso, capaz de atingir, sem exceção, todas as soberanias do mundo, dada a quase inesgotável capacidade militar do país ofensor, os EUA, e às bravatas expostas publicamente pelo seu tresloucado governante, o ególatra Donald Trump.

Não é de hoje que os Estados Unidos fizeram ressurgir a ótica do poder absoluto que predominava dezenas ou centenas de séculos atrás pelos impérios mais poderosos, como o romano, e mesmo antes disso, com as chamadas invasões bárbaras praticadas por vândalos, hunos, visigodos e tantos outros povos nômades, que visavam apenas o saque, a rapinagem, a pirataria e o massacre, sem pretensão de dominação permanente.

Como já tive a oportunidade expor em texto anterior, os Estados Unidos da América representam o exército defensor das corporações mais ricas do mundo. Não são “o” império, mas, sim, o soldado e a espada dos imperadores, que são os bilionários oligarcas.

Através desse braço armado, representado pelos Estados Unidos, a economia mundial vem sendo submetida à vontade desses novos imperadores de quatro modos principais, mas não únicos: