O “Som do silêncio” é uma lindíssima e eterna canção de Simon and Garfunkel cuja letra cala fundo nas almas sensíveis. Tradução de um pequeno trecho:
E, na luz nua, eu vi, dez mil pessoas, talvez mais.
Pessoas falando sem conversar,
Pessoas ouvindo sem escutar,
Pessoas escrevendo canções cujas vozes nunca compartilham.
Ninguém ousa perturbar o som do silêncio.
Tolos, disse eu, vocês não sabem
O silêncio cresce como um câncer
Ouça minhas palavras para que eu possa te ensinar
Pegue meus braços para que eu possa te alcançar.
Mas minhas palavras caíram como gotas de chuva silenciosas
E ecoaram nas fontes do silêncio.
Sábias palavras dessa dupla genial. Sem dúvida, o silêncio em relação ao mal permite, como um câncer, crescimento e metástase para todo o corpo social. Aliás, segundo consta, essa mesma questão, ou seja, as implicações do "som do silêncio" na pulverização do mal banal, perturbou o pastor Martin Luther King, que, refletindo sobre o assunto, disse que sua preocupação não era com "o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética”, mas com “o silêncio dos bons". Claro, o pastor utilizou de um eufemismo para amenizar as consequências lógicas do pensamento. Alguém que silencia sobre o mal não poderia jamais ser classificado como "bom", de modo que seria impossível logicamente o "silêncio dos bons".
