Então...
estou calmo. Estranhamente calmo.
Não
é como a calmaria que sucede a violenta tempestade. É a calma
típica do deprimido, da quem sente a impotência. É mais como a
tranquilidade transitória de quem está no olho do furacão e sabe
que, breve, muito breve, será atingido pela fúria indomada dos
ventos. Há um aperto indistinto no coração, aquele que nos acomete
quando estamos plenamente cientes da inevitabilidade do que virá e,
justamente por sua natureza inevitável, nada, absolutamente nada
podemos fazer em relação ao futuro. Woddy Allen, jocosamente, se
dizia bastante preocupado com o futuro, já que é lá que pretende
passar o resto de sua vida. Eu também, Woody, eu também, juntamente
com minha família e todas as pessoas que amo. Como chegamos a esse
ponto? De que forma deixamos escapar essa oportunidade única de nos
livrarmos dessa pecha pejorativa de país do futuro, de país em vias
de desenvolvimento? Quase chegamos lá e... de repente, voltamos aos
anos 1990. Por que?

