É
assim que me sinto após esse julgamento do TSE. Um palhaço. Sinto
em cheio, jogado na minha cara com violência, como se fosse o
cassetete de um maníaco fardado quebrando na cabeça de um
manifestante, o imenso papel de palhaço que faço nesse circo
chamado democracia brasileira. Os insignes ministros, na verdade, não
fizeram absolutamente nada que eu não soubesse de antemão que iriam
fazer. Há tempos que os tribunais são absolutamente previsíveis:
se for contra o PT ou algum político que se tornou cachorro morto
(como Cunha), agilizarão o processo e condenarão; se for para
beneficiar um político amigo ou contrariar alguém que não hesite
em retaliar, retardarão até a prescrição ou absolverão. Para ser
sincero, tampouco discordo tão veementemente assim do aspecto
técnico do julgado. O problema das coisas, em geral, não é o
"quê", mas o "quem" e o "como".
Nesse
julgamento, Gilmar Mendes e os ministros que o acompanharam
"esculacharam", vamos abrir o verbo no popular. Mostraram
despudoramente ao Brasil e ao mundo o que, até pouco tempo atrás,
somente os "petralhas" denunciavam e eram tratados como
teóricos da conspiração: o judiciário possui uma face para o PT e
outra para os políticos amigos, de partidos que militam em favor de
uns, mais abastados, e em prejuízo de tantos outros, alguns mais
abestados, da classe média, que se apegaram tão ferrenhamente ao
antipetismo sob o pálio do falso moralismo anticorrupção e começam
a perceber que foram ludibriados. A face que o judiciário arreganha
para o PT parecer ser a mesma que costuma exibir para pretos, pobres
e prostitutas. Nada como espancar um prejudicado. Afinal, é fácil
bater em cachorro republicano, difícil é encarar o rottweiler, como
Temer está demonstrando ao arreganhar, babando, seus dentes e garras
para os operadores da Lava Jato. Fachin e JBS que o digam.
