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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

O indivíduo - parte I: O egoísmo, altruísmo e sua dívida simbólica

 

A análise do comportamento de um dado conjunto, mecânico ou orgânico, imprescinde da prévia ciência de quais são seus principais elementos constitutivos e como funcionam. Relógio é apenas o nome dado ao conjunto de peças e engrenagens utilizados na fabricação desse objeto; um relojoeiro necessariamente deve saber a função de cada engrenagem na missão de informar a hora, caso contrário, não lhe será possível construí-los, repará-los ou, de modo mais sucinto, entender o seu funcionamento.

Da mesma forma, guardadas as devidas particularidades, o estudo da dinâmica de um agrupamento gregário animal deve partir da compreensão dos movimentos praticados pelas principais peças que o compõem: os indivíduos. Não bastassem as implacáveis vicissitudes da natureza que submete todos os seres, o sucesso ou o fracasso dos bandos animais vinculam-se, também, umbilicalmente, ao resultado do somatório de força e fraqueza de cada um dos indivíduos que a integram. Destaca-se, nessa amálgama de valores, a dimensão individual do espírito colaborativo. A partir dessa perspectiva, tentaremos compreender como se movimentam os indivíduos humanos no coletivo que integram.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Entre a prisão e o ócio remunerado, que tipo de sociedade desejamos?



Presumindo-se que todos ainda sejamos capazes de sonhar, que tipo de sociedade nós, brasileiros, desejamos para viver? Que espécie de comunidade humana reside em nossas utopias mais longínquas?
Assim como todo objeto de estudo, sociedades podem ser categorizados de diversas formas. Costumam ser rotuladas como abertas ou fechadas, capitalistas ou comunistas, democráticas ou ditatoriais, modernas ou primitivas, e diversas outras, sendo possível avançar em infinitas divisões categóricas mais adequadas ao estudo que se pretende.
No presente caso, interessa a divisão próspera ou opressiva, mais adequada e abrangente do que, simplesmente, feliz e infeliz, que também caberia, porém dizendo menos do que se pretende.
Embora semanticamente a palavra opressão

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

A sopa está quase fervendo

O clima político está tenso, muito tenso, mas não se preocupem... pode piorar e provavelmente irá piorar.
O diálogo já está praticamente impossível, o afastamento acaba se impondo. Estamos nos atomizando, as festas estão mais vazias.
O problema é que, em se tratando de várias vozes distintas falando ao mesmo tempo e sem que um ouça o outro, de um povo restrito a um único território que não querem dividir com a divergência, o resultado inevitável, como pontifica Leandro Karnal, é a guerra civil, o último modo de resolução interna dos conflitos políticos da sociedade.
Como se inicia uma guerra civil?
Guerra civil é o câncer de uma sociedade, seu início é imperceptível. Se desenvolve enquanto o mundo continua girando, o sol e a lua continuam os mesmos astros iluminando nossas cabeças, os mercados abrem regularmente e ainda nos proporcionam comprar o nosso pão de cada dia.

domingo, 5 de abril de 2015

Mundo selvagem


O animal selvagem, tremendamente forte e robusto, rosna com insatisfação ao perceber um outro de sua espécie, abatido e esquálido, se aproximando da carcaça. A carcaça é três vezes maior do que o animal selvagem robusto, mas ele não deseja dividi-la. Nesse momento, o instinto de sobrevivência grita forte no espírito indomado. Não é possível à fera perceber a possibilidade de solidariedade. Seu lado irracional é mais forte e seus filhotes esperam por um pedaço daquela carne semi-putrefata.
O animal mais esquálido para à certa distância. Avalia a situação. Teme uma reação da robusta besta que está se alimentando. Está muito fraco, não pode se dar ao luxo de um combate. Nota que a carcaça é imensa, poderia alimentar um bando inteiro. Verifica que a fera está se alimentando por um dos lados da carcaça. Imagina que, se chegar pelo outro lado, não irá incomodar. Talvez nem seja notado. Sabe que terá que tentar, pois seu corpo não resistirá à fome por mais um dia. Resolve prosseguir. Irá abocanhar um pedacinho de carne e sair correndo. Não fará falta naquela imensa carcaça e quem sabe a fera perceba que não vai valer a pena uma luta por um naco tão pequeno da carne.

segunda-feira, 9 de março de 2015

A encruzilhada do futuro




O futuro nasce a partir do presente entendido como o ápice do passado, vale dizer, o arcabouço do futuro repousa sobre os alicerces do presente, construídos que foram no passado. A utilização das ferramentas históricas herdadas pelo presente constituem a causa necessária do futuro que se projeta como ideia, pois possibilitam iniciar a obra que, em potência, representa o futuro que concretamente poderá vir a ser experimentado pela civilização.
Enfim, para simplificar esse raciocínio que já está ficando tortuoso, não é possível pensar num futuro a partir do nada. Do nada, nada vem, a não ser no caso único e excepcional da criação divina. Fora essa possibilidade teológica, o futuro sempre emergirá de suas bases históricas, ainda que sob a forma de contradição.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Armadilha conceitual


Encontro-me preso numa armadilha conceitual.
Se, por um lado, repudio a ideia de que seja saudável adequar-me perfeitamente às exigências de uma sociedade acerbamente doente, por outro não encontro fascínio no isolamento asceta do eremita.
O dilema que enfrento me leva a concluir que, embora a sociedade seja um conjunto de indivíduos, ela acaba por ser muito maior do que a soma de suas partes. O Leviatã é um ente cujo tamanho é superior ao que justificaria o número de células que lhe dá forma.
O valor de cada indivíduo não é somente menor no poder de influenciar a pletora de regramento coletivo que oprime de forma geral os demais indivíduos, mas igualmente menor no desejo de oprimir os desejos do próximo.