sexta-feira, 27 de março de 2026

A invasão da Venezuela e a ameaça à supremacia do mundo civilizado

 

Publicano no jornal GGN em 13/01/26, às 10:38

 A invasão da Venezuela define um marco histórico negativo com significado geopolítico ainda mais grave do que os conflitos de Palestina ou Ucrânia. Não que se esteja pondo em dúvida a gravidade do genocídio palestino, que é indubitavelmente gravíssimo e indesculpável, ou da quebra da soberania ucraniana, que, ao fim e ao cabo, certa ou não, trata-se de resposta da Rússia às sucessivas quebras dos acordos encetados com os países da Otan.

O que se coloca é que, sob o ângulo das relações internacionais, a invasão da Venezuela expõe um perigo imperialista muito maior e difuso, capaz de atingir, sem exceção, todas as soberanias do mundo, dada a quase inesgotável capacidade militar do país ofensor, os EUA, e às bravatas expostas publicamente pelo seu tresloucado governante, o ególatra Donald Trump.

Não é de hoje que os Estados Unidos fizeram ressurgir a ótica do poder absoluto que predominava dezenas ou centenas de séculos atrás pelos impérios mais poderosos, como o romano, e mesmo antes disso, com as chamadas invasões bárbaras praticadas por vândalos, hunos, visigodos e tantos outros povos nômades, que visavam apenas o saque, a rapinagem, a pirataria e o massacre, sem pretensão de dominação permanente.

Como já tive a oportunidade expor em texto anterior, os Estados Unidos da América representam o exército defensor das corporações mais ricas do mundo. Não são “o” império, mas, sim, o soldado e a espada dos imperadores, que são os bilionários oligarcas.

Através desse braço armado, representado pelos Estados Unidos, a economia mundial vem sendo submetida à vontade desses novos imperadores de quatro modos principais, mas não únicos:

(a) corrompendo os governos nacionais para que privilegiem os interesses do império em detrimento dos nacionais;

(b) corrompendo políticos nacionais opositores do governo para que cometam crimes de lesa-pátria em defesa dos interesses imperiais;

(c) concedendo empréstimos gigantescos, diretamente ou através de instituições como Banco Mundial e FMI, que são condicionados a exigências futuras cujos resultados beneficiam os interesses imperiais;

(d) assassinando políticos e autoridades de países estrangeiros que interfiram no andamento dos interesses imperiais; ou

(e) através da invasão armada.

Não é teoria da conspiração, mas fato histórico reconhecido, que a espada dos imperadores, os Estados Unidos, vêm atuando há décadas para desestabilizar governos de países soberanos, muitos deles pacíficos e até, em princípio, que gozam da “amizade” (usualmente falsa) dos americanos.

A partir de 1950, quando já detinham a condição de maior potência militar mundial, os Estados Unidos estiveram envolvidos, direta ou indiretamente, militarmente ou não, em, no mínimo, duzentas intervenções no território de outros países soberanos, tendo um quarto dessas intervenções, ou seja, pelo menos cinquenta delas, ocorrido a partir de 1990, após o colapso da União Soviética.

São exemplos não exaustivos, com indicação de país, ano de ocorrência e interesse comercial subjacente à intervenção: (1) Síria, 1949, petróleo; (2) Irã, 1953, petróleo; (3) Guatemala, 1954, agronegócio; (4) Vietnã, Laos e Camboja, 1955 a 1975, manutenção da hegemonia americana frente a URSS (anticomunismo); (5) Iraque, 1963, petróleo; (6) Brasil, 1964, interesses corporativos americanos (anticomunismo); (7) Chile, 1973, interesses corporativos americanos (anticomunismo); (8) Argentina, 1976, interesses corporativos americanos (anticomunismo); (9) Panamá, 1981, Canal do Panamá e anticomunismo; (10) Equador, 1981, petróleo; (11) Nicarágua, década de 1980, evitar a construção do Canal da Nicarágua e interesses corporativos americanos (anticomunismo); (12) El Salvador, década de 1980, interesses corporativos americanos (anticomunismo); (13) Venezuela, 2002, Petróleo; (14) Panamá, 2002, Canal do Panamá; (15) Afeganistão, 2001, motivos muito difusos, possível defesa do financiamento clandestino da CIA através do tráfico de heroína; (16) Iraque, 2003, petróleo; e (17) Brasil, 2005-2017 (do Mensalão à Lava Jato), petróleo, agronegócio e construção civil.

Não colocarei as fontes dessas informações. É muita coisa. O leitor honesto poderá pesquisar diretamente no Google. Para a maior parte delas, basta colocar o parâmetro “intervenção dos estados unidos, nome do país, ano”. Algumas exigem um pouco mais de dedicação. Lembrem-se que as big techs defendem os interesses corporativos. Portanto, o real interesse por trás de cada intervenção deve ser buscado em letras miúdas, nas entrelinhas ou subentendido, porque a narrativa oficial destacada sempre será de levar a democracia, a liberdade e blá blá blá aos “povos oprimidos”.

Repito: o controle ou o saque das riquezas existentes em outro território sempre foi o mote de todas as guerras e intervenções de uma nação sobre outra. Com o avanço civilizatório imposto pela modernidade, passou-se a ter pudor de assumir essa motivação mesquinha, o que levou a disfarçá-la sob a desculpa de motivações “dignas” para tais guerras e intervenções, como liberdade, democracia, justiça e por aí vai.

Tudo indica que esse pudor está desaparecendo. Afinal, todo mundo sabe o que está por trás de guerras e intervenções, mesmo os hipócritas que fingem acreditar em motivações “humanitárias”. Para que mentir, então?

Tal despudor explicaria por que, pela primeira vez na história recente, bem diferente do que ocorreu nos exemplos antes apontados, a intervenção na Venezuela trouxe uma novidade: a sinceridade imperial. De fato, o comandante da armada imperial disse claramente a motivação de sua intervenção no país soberano da Venezuela: o controle político do país e, em última análise, o controle da exploração do petróleo venezuelano.

Ao que parece, a invasão despudorada da Venezuela, com objetivo declarado de roubar o petróleo venezuelano, demonstra que os bárbaros dos nossos tempos, os oligarcas, insinuam o seu saudosismo quanto ao uso direto e sem máscaras da força bruta para conquistar seus alvos comerciais, utilizando o poder de forma absoluta e sem pudor, de modo inquestionável, acima do bem e do mal.

E disse mais: que o controle político da Venezuela se dará por longo tempo, no mínimo um ano, que todo o comércio de petróleo deverá ser administrado pelos EUA e que a estrutura chavista governamental será mantida, desde que permaneça obediente.

Seja qual for o método, o objetivo é idêntico: fragilização econômica da nação-alvo para obrigá-la ao cumprimento da agenda imperial, principalmente através da exploração, direta ou não, das commodities do país invadido.

O fato é que nunca foi pela democracia, pela paz, pela liberdade ou pela justiça, sempre foi pelo dinheiro e pela hegemonia ideológica (aquela que privilegia os bilionários).

No caso venezuelano, os Estados Unidos da América assumem que exercerão o papel de metrópole e a Venezuela, de país vassalo, o que significa um retrocesso histórico de três mil anos, pois era exatamente assim que o Império Romano lidava com os territórios conquistados.

Historicamente, os impérios suseranos dominaram os estados vassalos (ou tributários) de dois modos principais: através da extremada violência ou pela integração cultural.

A extremada violência possui o inconveniente de manter o povo dominado em constante revolta contra as forças do país agressor, situação comercialmente prejudicial, pois desvia a energia do povo para a resistência e sabotagem, não para a produção dos bens desejados pelo país usurpador.

O Império Romano, percebendo isso, adotou uma tática mais sábia: a integração mútua entre as culturas do império e do país invadido, mantendo a estrutura básica de poder, as formas de manifestação cultural e implementando, no território dominado, a sua famosa política de pão e circo que utilizava para a manutenção da tranquilidade social e política na própria Roma. Os romanos perceberam que o povo de qualquer nação deseja, em geral, apenas uma vida tranquila e com um mínimo de dignidade, bens imateriais que a pax romana implementava.

A tática foi um sucesso, permitindo a expansão do poder romano sobre, praticamente, toda a Europa e parte significativa da África e Ásia, inclusive Oriente Médio.

O reverso da moeda é que, como sói ocorrer em qualquer dominação imperial, com ou sem pax imperialista, o povo dominado permanece no status socioeconômico original, sem perspectiva de melhoria através das gerações. Isso porque a maior parte da riqueza produzida pelo povo dominado é direcionada para os cofres do dominador e não para o florescimento do povo local, cujo destino marcado é o de manutenção eterna daquelas condições mínimas de dignidade que permitem a exploração máxima de cada indivíduo. Em paralelo, todo ato de rebeldia é combatido com violência exemplar, com prisão, tortura ou morte.

A aparente sinceridade de Darth Trump indica que o modelo de intervenção adotado será o da pax romana, ou seja, com os Estados Unidos permitindo a manutenção da estrutura hierárquica e da cultura da província venezuelana, controlando indiretamente as marionetes locais para a transferência das riquezas para a metrópole.

Qualquer semelhança desse tipo de dominação “primitiva” com o capitalismo atual não é mera coincidência: o último deriva do primeiro seguindo à risca o ditado popular “entregar os anéis para não perder os dedos” ou “mudar para manter tudo como está”.

Para os que supunham que o tipo romano de dominação imperial foi superado pela ascensão de conceitos civilizatórios atuais como direitos humanos, democracia, soberania nacional, autodeterminação dos povos e decisões transnacionais multipolares, os Estados Unidos vêm demonstrando inequivocamente, há décadas, que estão redondamente enganados, o que é demonstrado pela lista de países nos quais intervieram acima apresentada e que nem é exaustiva.

O fato é que, independentemente da surpreendente sinceridade, o ato em si praticado pelo império do mal, a invasão de país soberano, não causa espanto algum em pessoas bem informadas. Desde a ascensão do Tea Party nos Estados Unidos ou do neofascismo no mundo ocidental, movimentos defendidos pela extrema-direita, inclusive no Brasil, a hipocrisia cedeu lugar ao despudor orgulhoso de apoiar toda e qualquer indignidade contra a humanidade que seja capaz de possibilitar a ideologia de enriquecimento individual infinito a qualquer custo. E daí que o povo fique sem assistência médica, sem segurança alimentar, sem educação pública e outras “esmolas”, desde que a economia permita que os ricos fiquem cada vez mais ricos?

É importante ressaltar que entender a personalidade de Trump é essencial para qualquer tentativa de compreender suas palavras e ações. Trata-se de pessoa dotada de personalidade ególatra e narcisista em altíssimo grau, munido de desfaçatez infinita que o habilita a mentir sobre coisas absolutamente incontroversas; de alguém acusado de vinculação a atos praticados por pessoa condenada por pedofilia e exploração da prostituição; de pessoa que é o próprio estereótipo dos adeptos da extrema-direita, com opiniões contrárias ao multilateralismo, às políticas de gênero, à defesa do meio-ambiente, sendo, por outro lado, negacionista ambiental e adepto da violência nas relações internacionais e interpessoais.

Donald Trump, na abertura da Assembleia Geral da ONU em 2025, fez possivelmente o discurso mais ridículo e narcisista da história da Assembleia Geral da ONU por um mandatário de qualquer país do mundo em qualquer tempo, no qual a palavra “eu” foi utilizada talvez centenas de vezes, desnudando sua pequenez como presidente e como pessoa.

Essa pessoa na presidência de um país com a força militar dos EUA é uma bomba relógio armada para explodir daqui a pouco, sem hora certa.

E o problema maior não é Trump, mas a fragilidade demonstrada pelos EUA no exercício da prática democrática dos freios e contrapesos entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário: está demonstrado que eles praticamente não existem.

Até aqui, Trump fez o que quis, sem contenção pelo Legislativo e pelo Judiciário.

Esse é o maior perigo, expondo de maneira dramática que o país militarmente mais potente do mundo está exposto ao risco de que um louco ocupe sua presidência e não encontre resistência em suas loucuras. O mundo já assistiu esse filme, nos anos 1920/1930, na Alemanha.

Em paralelo, a economia dos EUA se encontra extremamente fragilizada e acossada em várias frentes distintas capazes de prejudicá-la, o que permite entender melhor, sem contudo justificá-los, os atos do governo Trump, com tarifaço, perseguição violenta aos imigrantes, invasão da Venezuela e ameaça de outras invasões impensáveis até bem pouco tempo atrás, como a do território de um aliado da Otan.

Tratar-se-ia de puro desespero de quem vê a economia nacional ameaçada por vários perigos simultâneos, a saber, desdolarização crescente do comércio mundial, perda de importância no mercado de energia, perda da hegemonia comercial e militar e, agora, a possibilidade de ter seu setor agropecuário dizimado por conta de uma seca do rio Mississipi que se encaminha para a irreversibilidade.

O que fazer quando o valentão do bairro, chefe de uma gangue armada, ao perceber que seu dinheiro está acabando, ameaça assaltar a vizinhança?

Li uma matéria sobre intelectuais indignados com a ausência de manifestações dos governantes do mundo contra a invasão da Venezuela e a ameaça de invasão da Groenlândia. Pareceu-me superficial e ingênuo. De que adiantam manifestações indignadas contra um país que não tem medo do confronto armado? Que, pelo contrário, parece ansioso em apertar o gatilho? De um país que jamais cumpriu uma resolução da ONU que contrariasse suas convicções, o que é exatamente igual a somente concordar com decisões colegiadas quando são do seu interesse?

Dito de outro modo: palavras não significam nada para os EUA e de nada servirão para impedir essa nova onda imperialista estadunidense.

A ingenuidade dos que supõem ser possível compreensão e diálogo com apologistas do exercício arbitrário das próprias razões, da violência, do armamento, da tortura e do assassinato pode ser tão socialmente prejudicial como o mal em si mesmo.

Se o mundo não tivesse contemporizado, mas abominado Hitler desde o início, com os cidadãos alemães rejeitando seus vizinhos e parentes que aderiram aos ideais nazistas e com os países rompendo relações diplomáticas com a Alemanha, não haveria guerra, nem Holocausto e nem, décadas depois, o retorno da extrema direita, com a ascensão de figuras como Trumps, Netanyahus, Bolsonaros e Mileis mundo afora.

Invertendo a lógica da primazia de valores, a extrema-direita entende, p.ex., que o direito à liberdade de expressão se sobrepõe ao direito à vida e que o destino manifesto, orientado por Deus, autoriza a invasão de territórios para conquista das riquezas dos eleitos, ainda que ao custo da morte do povo invadido.

Na América do Sul, antes da Venezuela, os EUA já haviam deixado claro sua nova orientação geopolítica quando admitiram o uso de força militar contra o Brasil caso não concordassem com a decisão do judiciário brasileiro sobre o ex-presidente, agora condenado, Jair Bolsonaro. Claro que o interesse não era defender um meliante condenado, mas opor-se a um governo que não parecia aliado. Seja como for, perceba-se que, no plano do discurso, não se está falando de interesse material estadunidense para justificar uma intervenção, mas de contrariedade em relação a uma sentença judicial de outro país soberano. É muito fraca essa desculpa como justificativa intervencionista, ainda assim foi utilizada, o que denota o grau de cinismo, de descaramento do governo Trump. Os EUA não se importam com a gravidade do motivo apresentado; querem qualquer motivo e, sem dúvida, em breve não apresentarão motivo algum além do “eu quis porque posso”.

O governo Trump ainda está no início, um ano apenas de mandato. As medidas retaliatórias devem ser adotadas agora, o mais rapidamente possível, antes que as forças políticas internas tornem irreversível essa nova orientação estadunidense de natureza fascista adotada tanto para a política nacional como para a internacional.

Caso não adotadas medidas transnacionais de condenação e retaliação, o estupro estadunidense contra a soberania venezuelana detonará de vez o que resta do Direito Internacional, sepultando os fóruns multilaterais de decisões transnacionais, conduzindo o mundo ao panorama geopolítico pré-medieval.

Isso já se iniciou, com Trump determinando a expulsão, dos EUA, de dezenas de organizações ligadas à ONU.

A partir da derrubada dos organismos multilaterais de decisões geopolíticas, todos os países ou grupos de países munidos de poder (leia-se, expressiva força militar e nuclear) se sentirão autorizados e confortáveis em impor seus interesses sobre países mais fracos militarmente que detenham algum patrimônio por eles considerados essenciais para os seus interesses nacionais.

Os Estados Unidos já ameaçam invadir o Canadá e a Groenlândia dado o anunciado “interesse estratégico”. A Rússia pode tomar de vez toda a Ucrânia e até pensar em invadir a Finlândia. A China não pensará duas vezes em retomar, à força, o seu domínio sobre Taiwan, Hong Kong, Tibete e outros territórios que considera seus. Até o Brasil, por que não?, num eventual governo de extrema-direita, pode aspirar a retomar o Uruguai. Quem sabe a Bélgica reforce seu poderio militar para reconquistar o Congo?

Tudo é possível com o retorno ao estado pré-moderno, sem respeito à soberania e à autodeterminação dos povos. Basta desejar a riqueza alheia para justificar o saque ou a incorporação do território de outra nação.

É a barbárie, pura e simplesmente.

Porém, de que forma os países que se posicionaram contra a invasão da Venezuela poderiam conter agressor tão poderoso?

Não há como enfrentar os EUA militarmente sem provocar uma hecatombe mundial, o que significa que, ainda que os EUA fossem totalmente destruídos, seria uma vitória de Pirro. Não haveria, de fato, um vitorioso, todos perderiam. Vamos relembrar que, como supostamente disse Einstein, depois da 3a Guerra Mundial, os que restarem, se restarem, voltarão a guerrear com paus e pedras…

Só há um meio de domar o império do mal: atacar o moral e o bolso estadunidenses.

A resposta do mundo deve ser dura e implacável: rompimento total de relações diplomáticas e comerciais com um país que viola sistematicamente as leis internacionais e as decisões dos fóruns de representação multilateral, e que, como um pirata ou um ladrão, decide unilateralmente invadir um país para dele tomar a maior riqueza de seu povo, o petróleo.

Os países devem chamar seus embaixadores de volta e fechar as representações diplomáticas.

Tal medida pode parecer loucura ante as diversas interdependências comerciais, dificílimas de romper. Porém, ainda que o prejuízo comercial seja imenso para alguns países, será infinitamente menor do que o custo de uma III Guerra que parece inevitável se os EUA persistirem nos passos atuais.

Existem momentos na história que dependem de movimentos corajosos dos povos, das nações e de seus representantes. Creio que a invasão da Venezuela é um desses momentos, não somente pela soberania venezuelana, mas pela supremacia do mundo civilizado, pela prevalência das leis internacionais e pelos princípios que pautam o Direito Internacional.

Os Estados Unidos reacenderam um modelo de imperialismo bárbaro, caracterizado pela mesma ótica simplória, primitiva e violenta adotada pelo garoto forte que pratica bullying contra seus “amiguinhos” menores e mais fracos: eu sou o mais forte, eu mando, você obedece.

É extremamente perigoso deixar essa antiga visão de mundo retornar ao seio da sociedade planetária como opção geopolítica. Disso para o retorno da escravidão direta, da servidão feudal, do totalitarismo absolutista, da imposição da religião de estado, da estamentatização da sociedade e outros males de épocas bárbaras é um passo muito pequeno.

Parafraseando Neil Armstrong, a ação estadunidense na Venezuela representa um pequeno passo para um ser humano deletério (Trump) mas um salto gigantesco para o retorno da humanidade à barbárie.

Muito longe de atitudes dramáticas com a que aqui se sugere, o que se viu até aqui foram declarações protocolares, algumas tímidas outras mais enfáticas e, por incrível que pareça, solidariedade à ação estadunidense, nem falo de Milei ou Netanyahu, pois são lunáticos, mas a que partiu de Macron, ainda que, percebendo seu equívoco, tenha tentado desajeitadamente voltar atrás.

Caso a ação de Trump não seja rechaçada com vigor, outros países e territórios com riquezas minerais que interessam aos EUA entrarão definitivamente em sua mira, como a Colômbia, o Canadá, a Groenlândia e até o Brasil.

Não é hora de pensar com o bolso.

O momento é grave, histórico e capaz de definir do futuro da humanidade, estando a exigir decisão firme, mesmo que exija sacrifício econômico.

Como gostam de dizer os estadunidenses, não há ganho sem dor.

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