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terça-feira, 19 de setembro de 2017

Ante o vácuo da política, o que fazer?


Este texto é um comentário ao excelente texto de Ion de Andrade, "Lula,a crise do paradigma Gramsciano e da nossa democracia", publicado no portal de notícias do GGN, do jornalista Luis Nassif.
Consolidado o golpe contra Dilma, a indagação que tem incomodado profundamente desde então é: como as coisas se desenvolverão no quadro político brasileiro, com ou sem Lula retornando à presidência? Está claro que o poder estabelecido não aceitará alterações relevantes na sociedade nem mesmo através do gradualismo, ou seja, dentro das normas democráticas concernentes ao Pacto Social com as quais ele próprio (o poder) aquiesceu. Isso já foi demonstrado por meio do falso impeachment, que conferiu insegurança ao processo democrático. Não vale mais a escolha povo, que fica subordinada à concordância do poder real.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

O golpe da burocracia

A burocracia público-administrativa brasileira, não eleita pelo povo, que acessa o poder sem um voto sequer, sem participação popular no processo de escolha e por uma via que somente pode ser considerada avaliadora e meritocrática em momento estanque no tempo - a época da prestação do concurso público - está obtendo sucesso em derrubar um governo eleito democraticamente e em reduzir as garantias e liberdades individuais.
Em outras palavras, o ano de 2016 entra para história nacional como o ano em que a burocracia deu um golpe civil no Brasil.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Impeachment de Dilma, o fruto maduro da ação de esvaziamento da política

Classifica-se de “grau zero” o instante, o ponto, o momento a partir do qual o objeto pensado perde o seu significado, sendo aniquilado em seu sentido axiológico, esvaziando-se completamente de sentido e finalidade. Instaurado esse niilismo essencial, o objeto pode continuar formalmente a existir, porém encontrando fundamento de validade em outra dimensão da realidade estrutural e com alteração das regras até então estabelecidas. No fundo, deixa de existir e o que subsiste é coisa distinta, de outra essência e com outra finalidade.
Nesse sentido, grau zero da política seria o momento a partir do qual a política se despe de sua finalidade histórica de instrumento de mediação entre os diversos interesses conflitantes na sociedade em torno dos modos de direcionamento das demandas públicas. Através da política se evita a necessidade de utilização da força física, bruta, como meio de vencer as discussões públicas, o que sempre privilegiará os mais fortes em detrimento dos desfavorecidos, desequilibrando a balança social.

domingo, 24 de abril de 2016

Sinuca de bico


Os adeptos do jogo de sinuquinha sabem bem o que é uma sinuca de bico. É quando a bola branca se encontra posicionada de tal forma que impede que a bola do jogo seja atingida diretamente. Nesse caso, o jogador tem que utilizar a tabela, ou seja, atingir sua bola em dois ou mais toques. É sempre uma situação difícil de sair, mas não impossível, dependendo muito da habilidade do jogador. Jogadores pouco habilidosos tendem a perder a jogada, enquanto jogadores experientes conseguem usar bem a tabela e sair da dificuldade.
Fica a indagação: Dilma é uma jogadora habilidosa? Conseguirá usar a tabela e sair da dificuldade do processo de impeachment?

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Golpe de hoje, esperança do amanhã


O desenho do golpe esperado ocorreu: o processo de impeachment vai prosseguir no Senado.
O partido que lidera o golpe, o PMDB forneceu um total de 59 votos favoráveis ao golpe e dois contra. O PMDB do Rio colaborou com nove votos a favor do processo e dois contra. Um massacre.
O "líder do governo", Leonardo Picciani encenou, de modo pouco convincente, o papel de homem fiel ao governo do qual é líder, votando contra o impeachment, logo após ter orientado seus liderados a votar a favor.
No dia 08 de dezembro de 2015, em texto publicado no blog, esse resultado foi previsto, inclusive em relação ao desembarque maciço do PMDB.
O texto não foi bem aceito, muito provavelmente, e de modo compreensível, porque não era o momento para pessimismos, ainda que fundados em realidade patente e cristalina (talvez ainda não seja). Eis o link: http://marciovalley.blogspot.com.br/2015/12/o-impeachment-passara-dilma-perdera.html e o trecho que previa o comportamento do PMDB no golpe:

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Súplica aberta, em nome dos despossuídos, ao detentor do verdadeiro poder


Sr. chefe do clã Roberto Marinho, antes de mais nada, deixe-me esclarecer que, a partir da morte do patriarca Roberto Marinho, não se sabe bem quem manda no conglomerado Globo, se é o Roberto Irineu, o João, o José ou outro qualquer oculto do público (Kamel, Schroder, talvez Bonner? Não, o Bonner do "Homer Simpson" não pode ser...), sendo essa a razão que me conduz a direcionar a presente súplica a um indeterminado "chefe do clã", seja quem for.
Sr. chefe do clã, o senhor, claro, não me conhece e, provavelmente, jamais conhecerá. Pertencemos a mundos que jamais se tocam, sequer tangenciam. Parafraseando o famoso livro, sua classe é de Vênus, a minha é de Marte. O senhor é um bilionário, um empresário altamente poderoso, que integra o milésimo superior da população humana e se relaciona com as pessoas mais poderosas do planeta. Basta o seu simples desejo e estará apreciando um Macallan, 1946, baforando um Gurkha Black Dragon ou um Cohiba Behike, enquanto aguarda o prato mais caro pedido no Restaurant Le Meurice, em Paris. Não se surpreenda, não conheço nada disso, pesquisei no São Google, o pai dos descerebrados.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

O impeachment passará, Dilma perderá a presidência


Michel Temer enviou “carta confidencial” à presidenta Dilma pretensamente para esclarecer como se comportará em relação ao pedido de impeachment. Após várias linhas de lamúrias infantis e ralas, ele informa, em uma singela frase, o que fará: permanecerá em silêncio obsequioso, com o objetivo de alcançar unidade partidária dentro do PMDB.
Em outras palavras: “Sra. Presidenta Dilma, participarei do golpe e tentarei tomar o poder”.
A carta é histórica. Pela primeira vez uma pessoa pública de importância significativa no cenário político brasileiro tem a coragem de expor publicamente as próprias entranhas fisiológicas ao povo.
Michel Temer, completamente despreocupado com a explicitação de seu caráter, relata à Dilma uma série de frustrações vaidosas e ególatras

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Lava Jato poderia ser uma ótima operação, mas não é




A Lava Jato poderia ser uma ótima operação, mas não é.
Não tenho dúvida alguma de que crimes ocorreram e ainda ocorrem na política brasileira, antes e após o ingresso do PT no governo federal. Tampouco tenho dúvida alguma de que, infelizmente, continuarão a existir após a saída do PT.
É evidente que esses criminosos, sempre que possível, devem ir para a cadeia. Qualquer pessoa minimamente honesta assim deseja.
Não é por apologia à corrupção que defendo o governo e critico a Lava-Jato, mas por verificar que essa operações se degenerou, transformando-se num mecanismo antidemocrático de oposição ao governo. Praticamente todos os ilícitos praticados por pessoas públicas da oposição estão sendo acobertados. De que forma isso pode ser classificado como combate honesto à corrupção?

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

O limite do possível político


Exagera quem considera que está ocorrendo uma grande derrota das forças progressistas brasileiras por culpa das dificuldades do PT em se manter coerente ao seu projeto utópico original.
As conquistas do PT no governo federal não se resumem ao aumento do consumo, proporcionado pelo inegável incremento da renda. Longe disso...
Primeiro, é preciso deixar claro que esse aumento de consumo não pode ser confundido com o consumismo da classe média e da classe rica, superficial e fútil. Trata-se de consumo de bens de primeira necessidade, como alimentos. Assim, trata-se, no fundo, de melhoria na condição alimentar da população pobre, notadamente entre as crianças, o que implica melhora na saúde geral dessa população.

sábado, 26 de setembro de 2015

Os cavaleiros do apocalipchment

Após o fim do ciclo militar, com Sarney assumindo a Presidência às pressas, em substituição ao falecido Tancredo Neves, o país ingressou num longo e tedioso período de calmaria política, somente interrompido em situações episódicas, como a dos caras-pintadas que exigiam a saída de Fernando Collor da presidência.
Não se discutia política no Brasil. O churrasco era regado a cerveja e conversas sobre futebol, carnaval e mulheres. As queixas eram genéricas, as de sempre: péssima educação pública, péssima saúde pública, péssima segurança pública e por aí vai. São queixas com as quais o brasileiro se encontra acostumado, afinal, o serviço público é ruim no Brasil desde Cabral. Ninguém, porém, brigava com o amigo por conta do presidente que ele escolheu. No máximo, uma piada sobre o mau-gosto e nada mais.
E outra coisa: como pouco ou nada se discutia de política numa era de pouco fluxo de troca de informações interpessoais, quase nada sabíamos de fato sobre o que as pessoas à nossa volta, amigos e familiares, realmente pensavam sobre política.