sexta-feira, 23 de outubro de 2026

COMPARATIVO DE REALIZAÇÕES DE LULA E DOS BOLSONARO DESDE 2003

 


COMPARATIVO DE REALIZAÇÕES DE LULA

E DOS BOLSONARO DESDE 2003


Todos os dados abaixo podem ser facilmente obtidos em rápida pesquisa no Google. Portanto, não chame os dados de fake news somente porque você é preguiçoso e não quer se dar ao trabalho de conferir.


LULA

BOLSONAROS

REDUÇÃO DA DESIGUALDADE SOCIAL

Os programas sociais dos governos Lula I, II e III retiraram milhões de pessoas da extrema pobreza.

O Brasil foi excluído do Mapa da Fome da ONU.

Valorização do Salário Mínimo: Política contínua de reajustes reais (acima da inflação) que fortaleceu o mercado consumidor interno.

Ao assumir o governo Lula I, em janeiro de 2003, o salário mínimo equivalia a cerca de US$ 60 dólares, algo em torno de R$ 200,00.

No último mês de seu primeiro mandato, em dezembro de 2006, o valor do salário mínimo havia saltado para R$ 350,00, cerca de US$ 163 dólares, quase três vezes o valor inicial.

No último mês do governo Lula II, em dezembro de 2010, o valor do salário mínimo havia saltado para R$ 510,00, cerca de US$ 290 dólares, mais de três vezes superior ao valor de dezembro de 2006.

Ao assumir o governo Lula III, em janeiro de 2023, o salário mínimo equivalia a R$ 1.302,00, cerca de US$ 250,38 dólares.

Em outubro de 2026, o salário mínimo no Brasil é de R$ 1.621,00, o que equivale a aproximadamente US$ 321 dólares, aumento de cerca de 30% sobre o valor o inicial.



Flávio Bolsonaro: Nunca foi prefeito, governador ou presidente, não possuindo experiência administrativa nenhuma. Nos 23 anos em que é parlamentar, jamais criou projeto de lei para redução das desigualdades sociais ou implementação de projetos públicos benéficos à maioria da população. Como é adepto do neoliberalismo, caso eleito reduzirá o tamanho do Estado, e já disse que adotará um “tesouraço” de até 250 bilhões de reais no orçamento federal, certamente cortará verba, isso significa que, na prática, os pobres novamente sairão do orçamento público federal ou terão sua fatia orçamentária drasticamente reduzida e nenhuma ação coletiva pública partirá de seu governo.

Governo Jair Bolsonaro: Adepto do neoliberalismo, que busca reduzir o tamanho do Estado.

O Brasil retornou ao mapa da fome da ONU.

Desvalorização do Salário Mínimo: no governo Bolsonaro o salário mínimo deixou de ter aumento real, com o piso nacional passando a ser corrigido apenas pela variação da inflação medida pelo INPC, o que resultou em perda de valor.

Ao assumir o governo, em janeiro de 2019, Bolsonaro encontrou o salário mínimo no valor de R$ 998,00, equivalente a cerca de US$ 258,58 dólares.

No último mês de seu governo, em dezembro de 2022, o salário mínimo no Brasil era de R$ 1.212,00, equivalente a US$ 229 dólares, o que significa perda, em 4 anos, de cerca de 13%.

ECONOMIA, MERCADO DE TRABALHO, EMPREGO E RENDA

Na economia, mercado de trabalho, emprego e renda, os governos Lula se notabilizaram pela descoberta e início da exploração do pré-sal na bacia de Santos.

Houve crescimento expressivo do emprego formal e da renda média do trabalhador em diferentes períodos dos mandatos.

Ao assumir o governo Lula I, em janeiro de 2003, a taxa média de desemprego do ano de 2002 havia sido de 11,7%.

A taxa média de desemprego no Brasil no final do mandato Lula I, em 2006, foi de 8,5%.

A taxa média de desemprego no Brasil no final do mandato Lula II, em 2010 foi de 6,7%.

Lula pegou uma taxa de desemprego de 11,7% e a reduziu, em 8 anos, para 6,7%.

Ao assumir o governo Lula III, em janeiro de 2023, a taxa média de desemprego do ano de 2022 havia sido de 9,3%.

No ano de 2025, a taxa média de desemprego no Brasil foi de 6,7%.

Em 2026, a taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,3% no trimestre móvel encerrado em agosto de 2026.

Novamente Lula conseguiu reduzir a taxa de desemprego, de 9,7% para 5,3%, em menos de 4 anos.

Valorização da renda média do trabalhador: Durante os governos Lula I e II, o rendimento médio real do trabalhador brasileiro, já descontada a inflação, apresentou um crescimento acumulado real (descontada a inflação) de cerca de 20% entre o ano de 2003 e o encerramento de 2010, segundo dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE, passando de R$ 692,00 para R$ 1.625,46.

Durante o governo Lula III, o rendimento médio real do trabalhador brasileiro subiu de R$ 2.900, em janeiro de 2023, para R$ 3.777, no trimestre encerrado em agosto de 2026, de acordo com a PNAD Contínua do IBGE, o que representa um aumento de 30% em menos de 4 anos.




Flávio Bolsonaro: Nunca foi prefeito, governador ou presidente, não possuindo experiência administrativa nenhuma. Nos 23 anos em que é parlamentar, jamais criou projeto de lei para promover a criação de emprego ou aumento da renda média dos trabalhadores.

Governo Jair Bolsonaro: Adepto do neoliberalismo, que busca reduzir o tamanho do Estado, portanto, inclinado a reduzir salários, aposentadorias e pensões.

No início do governo Bolsonaro, a taxa média de desemprego no Brasil acumulada em 2017 foi de 12,7%, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) do IBGE.

A taxa média de desemprego no Brasil no final do mandato de Bolsonaro, em 2022, foi de 9,3%.

Desvalorização da renda média do trabalhador:

Durante o governo Bolsonaro, o rendimento médio real do trabalhador brasileiro passou de R$ 2.958, em janeiro de 2018, para R$ 2.940, em dezembro de 2022, o que significa que, em 4 anos o salário médio não somente não teve aumento algum, como teve o valor reduzido, o que piora ainda mais se levada em conta a inflação do período.



EDUCAÇÃO

Na educação, 14 novas universidades federais foram criadas nos mandatos de Lula (total de 18, caso somadas as criadas por Dilma Rousseff).

Além disso, 120 novos campi universitários foram implantados (total de 170, se considerado o mandato de Dilma), com o objetivo de interiorizar o ensino superior para fora das capitais.

Na educação, de Pedro Álvares Cabral até dezembro de 2002, somente 139 escolas técnicas federais haviam sido criadas.

Nos governos Lula I e II (janeiro de 2003 a dezembro de 2010), foram criados 214 novos Institutos Federais de educação.

No governo Dilma Rousseff (2011 a agosto de 2016, mais 290 novas unidades foram criadas, totalizando 504 novas escolas técnicas federais.

No governo Lula III, a partir de janeiro de 2023, mais 92 Institutos Federais foram inaugurados até setembro de 2026, totalizando 596 novas escolas técnicas federais criadas pelos governos petistas.

Há previsão de inauguração de mais 19 unidades até o fim do mandato de Lula III.

Na educação, o número de matrículas na graduação das universidades federais saltou de cerca de 544 mil em 2003 para mais de 1 milhão nos anos seguintes, impulsionado também pelo REUNI (Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais).

Na educação, implementação do ProUni (bolsas de estudo em universidades privadas) e ampliação do FIES.

Na educação, aprovação do Fundeb para financiamento da educação básica.





Flávio Bolsonaro: Repete-se o que foi dito no tópico anterior. Nenhuma realização.

Governo Jair Bolsonaro: Adepto do neoliberalismo, que busca reduzir o tamanho do Estado.

Por conta disso, em seu governo o orçamento da educação foi reduzido em treze por cento.

Não foi criada nenhuma universidade, nenhuma escola técnica federal e tampouco aumentada a oferta de vagas públicas.

Em seu governo o número de novos financiamentos do FIES seguiu uma tendência contínua de queda, registrando em 2021 o menor patamar em 11 anos (cerca de 93 mil contratos).

Quanto ao Prouni, o programa, que sempre foi restrito a estudantes da rede pública ou bolsistas integrais da rede privada, foi aberto para estudantes privilegiados não bolsistas da rede privada, deturpando os objetivos do programa. Além disso, extinguiu as bolsas parciais de 25%, mantendo apenas as modalidades de 50% e de 100%. E mais, houve uma queda expressiva na oferta de vagas em 2021, com recuperação apenas no ano eleitoral de 2022.

Limitou-se a administrar o Fundeb nos limites a que era obrigado pela lei.

SAÚDE PÚBLICA





Na saúde pública, criação do SAMU (atendimento móvel de urgência) e do programa Farmácia Popular.

Lançamento do programa Mais Médicos para ampliar o atendimento em periferias e no interior.

Expansão da rede de Atenção Básica e das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).

Lançamento do Mais Médicos para ampliar o atendimento em periferias e no interior.

Expansão da rede de Atenção Básica e das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).

Flávio Bolsonaro: Repete-se o que foi dito no tópico anterior. Nenhuma realização.

Governo Jair Bolsonaro: Adepto do neoliberalismo, que busca reduzir o tamanho do Estado.

Por conta disso, em seu governo orçamento federal do SUS caiu de 15,77% em 2017 para 13,54% em 2019, com perdas em programas sociais e de prevenção, além de bloqueios recorrentes de verbas, incluindo cortes em propostas de orçamento para áreas como Farmácia Popular, oncologia e prevenção ao HIV/Aids.

Adotou postura negacionista da ciência quanto à adoção de medidas de isolamento social, promovendo o chamado "tratamento precoce" com medicamentos ineficazes (como cloroquina e ivermectin), gastando dezenas de milhões de reais com isso e retardando a aquisição de vacinas. Seu comportamento agravou a crise sanitária e, por conta disso, quase 700 mil pessoas morreram.

Desde o início de seu governo demonstrou contrariedade em relação ao programa Mais Médicos. Fez de tudo para desestruturá-lo e acabou por substituir a iniciativa original, criada em 2013, com isso provocando a saída de grande parte dos profissionais cubanos logo no início do governo, gerando forte redução no número de profissionais e dificuldades no atendimento à atenção primária do SUS. Centenas de municípios, periferias e comunidades indígenas e quilombolas sofreram desfalques graves ou mesmo interrupção na atenção básica de saúde.

Não construiu uma só unidade de UPA. Pelo contrário, as obras de construção de centenas de UPAs iniciadas nos governos anteriores foram simplesmente paralisadas e nunca concluídas. Tentou entregar os projetos para a iniciativa privada, mas recuou ante a forte repercussão negativa.

No conjunto, foi um desastre.

INFRAESTRUTURA E MORADIA

Em infraestrutura e moradia, lançamento do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) para obras em transportes, energia e saneamento.

Criação do programa Minha Casa, Minha Vida para habitação popular.

Criação do programa Luz para Todos, levando eletrificação a milhões de famílias rurais.

Foi concluída, durante os governos Lula I e II e Dilma, a Ferrovia Norte-Sul, ligando o Maranhão ao interior de São Paulo, conectando regiões produtoras de grãos ao Porto de Itaqui e ao Porto de Santos.

Foi entregue a Ferrovia de Integração Oeste-Este, ligando o interior da Bahia, Minas e Goiás ao porto de Ilhéus.

Iniciou-se a Ferrovia Transnordestina, prevista para ter 1.753 Km, ligando o cerrado do Piauí (município de Eliseu Martins) aos portos de Pecém (no Ceará) e Suape (em Pernambuco).

O trecho principal, ligando Paes Landim, no Piauí, ao Porto do Pecém, no Ceará, tem previsão de conclusão para o fim de 2027, já estando com cerca de 83% a 84% das obras executadas.

O trecho 2, de Paes Landim a Eliseu Martins, também no Piauí, tem previsão de término para 2028.

Flávio Bolsonaro: Repete-se o que foi dito no tópico anterior. Nenhuma realização.

Governo Jair Bolsonaro: Adepto do neoliberalismo, que busca reduzir o tamanho do Estado.

Por conta disso, (1) encerrou o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento); (2) reduziu significativamente os recursos, cortando 98,2% dos recursos voltados à construção de moradias populares e alterando as regras, ao fim paralisando as obras do programa Minha Casa Minha Vida; (3) basicamente, encerrou o programa Luz para Todos.

Quanto às realizações em transportes, são ínfimas: (1) asfaltamento de 51 km da BR-163, no Pará; (2) Ponte do Abunã, sobre o Rio Madeira, no Acre, com 1,5 Km e (3)

Ponte sobre o Rio Parnaíba, no Piauí, com 185 metros.

Afora isso, restam apenas concessões e privatizações em transportes, ações tipicamente neoliberais.

No final do governo, em dezembro de 2022, prejudicou o andamento das obras da Ferrovia Transnordestina ao criar um termo aditivo ao contrato de concessão que acabou resultando na desistência do trecho Salgueiro–Suape (Pernambuco), reduzindo o projeto original de 1.753 km para 1.209 km. Isso levou o Tribunal de Contas da União a classificar a obra como "financeiramente inviável", resultando no congelamento de investimentos e na virtual paralisação de frentes de trabalho importantes na região.

PETROBRAS

Crescimento da Petrobras: Com Lula, sempre significativo.

1º e 2º mandato: Em dezembro de 2002, a Petrobras ocupava a 12ª posição no ranking das maiores empresas petrolíferas do mundo, com valor de mercado estimado em US$ 15,4 bilhões.

Lula assume em janeiro de 2003 e, no último mês de seu segundo mandato, em dezembro de 2010, a Petrobras ocupava a 3ª posição no ranking global com valor de mercado avaliado em cerca de US$ 228,9 bilhões, quase 15 vezes mais do que quando assumiu.

3º mandato: Em dezembro de 2022, a Petrobras ocupava a 13ª posição entre as maiores do mundo, com valor de mercado estimado em cerca de US$ 70 bilhões.

Lula assume em janeiro de 2023 e, atualmente, menos de 4 anos depois, a Petrobras saltou para a 5ª posição entre as maiores petroleiras do mundo em valor de mercado, avaliada em US$ 159,49 bilhões, mais do que o dobro do valor do início do mandato.

Decrescimento da Petrobras: Com Bolsonaro, a Petrobras perdeu valor de mercado.

Em dezembro de 2018, a Petrobras ocupava a 10ª posição entre as maiores do mundo, com valor de mercado estimado em cerca de US$ 95,58 bilhões.

Em dezembro de 2022, a Petrobras continuava a ocupar a 10ª posição entre as maiores do mundo, mas perdeu valor de mercado, então estimado em cerca de US$ 69,46 bilhões.

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Pobres, pretos e mulheres votaram em homens brancos milionários

Nessa eleição de 2026, o incrível percentual de 61% dos novos parlamentares eleitos é constituído por homens brancos milionários eleitos por partidos de direita. Além disso, deram a maioria dos votos no primeiro turno para um candidato da extrema-direita.

A população brasileira é formada por 80% de pessoas classificadas como pobres ou classe média baixa/base (classes C, D e E); 55,5% de pretos ou pardos; e 51,5% de mulheres.

Desse modo, a maioria dos eleitores que escolheram homens brancos milionários para representá-los e um candidato da extrema-direita para presidente é composta por pobres ou classe média baixa, pretos ou pardos e mulheres.

Pessoas pobres, pessoas pretas/pardas e pessoas mulheres decidiram votar em homens brancos milionários para serem representantes do “povo” e na extema-direta para a presidência. Isso é como se os escravos de 200 anos atrás, recebendo o direito de voto, fossem às urnas para votar nos senhores de engenho como seus “representantes”; ou como se antílopes votassem nos leões como seus representantes.

Por alguma razão inexplicável, devem ter entendido que os interesses em jogo eram os mesmos entre eles e os escolhidos, ou seja, como se candidatos brancos milionários da direita fossem governar ou promulgar leis em defesa dos interesses de pobres, pretos e mulheres. Nunca farão isso. Diferentemente de quem votou neles, milionários possuem consciência de classe. Defendem seus próprios interesses e os de seus confrades milionários.

Políticos da direita, como se sabe (ou todos deveriam saber de uma vez por todas), representam os interesses do mercado, dos ricos e milionários, importando-se pouco ou nada com a concretização de políticas sociais e/ou igualitárias.

Pobres, pretos e mulheres escolheram homens brancos milionários para representá-los.

Que morte horrível!!!

sábado, 3 de outubro de 2026

Perigo eleitoral: as indicações para o Supremo

 


O STF é composto por onze ministros e é o guardião máximo dos direitos do povo.

O próximo presidente já de início será responsável pela indicação de três ministros do STF, por aposentadoria.

Porém, pode vir a ter que substituir de três a cinco ministros que correm o risco de serem impedidos em razão do escândalo do Banco Master.

Ou seja, o presidente eleito talvez possa vir a indicar um total de oito ministros.

Todos serão vitalícios, com idade mínima de 35 anos e aposentadoria compulsória aos 75 anos.

Isso formará uma maioria, com mesmo perfil ideológico, com possível duração de quatro décadas.

Quando o STF tiver que dar a palavra final sobre coisas como aposentadoria, direitos da gestante, educação e saúde públicas e tantas outras importantes socialmente, você considera melhor para si mesmo e para o povo que esses ministros tenham inclinações progressistas (proteção da dignidade humana) ou conservadoras (proteção dos ricos)?

Reflita bem antes de votar para presidente.

Afinal, você e todo o Brasil terão que suportar as consequências doces ou amargas do próprio voto por até 40 anos.

Boa eleição!

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Pensamentrusivo

 

Pensamentrusivo: Quanto tempo falta para que as pessoas comecem a perder o trabalho de motorista de aplicativo ou de delivery para veículos autônomos ou drones? Um, dois, três anos?

domingo, 27 de setembro de 2026

13 motivos para não votar no Zero Um



1 – Ninguém sabe dizer quais são as propostas para um eventual governo do Zero Um (candidato a presidente, filho do ex-presidente condenado e atualmente presidiário);

2 – Os filhos de Bolsonaro não são apelidados de "Zero" à toa. A alcunha deriva do fato de que ninguém é capaz de apontar uma só iniciativa do pai ou dos filhos em benefício da maioria da população brasileira, principalmente os pobres. Nunca foram antissistema e somente atuaram a favor de si mesmos ou dos ricos nos mais de 30 anos em que estão ativados no sistema político nacional, sendo que, até 2018, sempre estiveram na condição de “baixo clero”, como são chamados os políticos sem relevância que em geral votam com o bolso. Ou seja, todos eles possuem valor semelhante ao de um zero à esquerda;

3 – Quem acreditou na mentira do Lula corrupto por causa de um pedalinho no sítio de um amigo antigo e de uma opção nunca concretizada de compra de um triplex, com muito mais razão deveria acreditar na corrupção de uma família cuja renda sempre esteve vinculada a cargos públicos, como os Bolsonaro, e ainda assim compraram mais de 50 imóveis valiosos à vista. Principalmente do Zero Um, que comprou uma mansão avaliada na época em mais de 10 milhões de reais, porém subavaliada em 6 milhões, pagando 3 milhões à vista e financiando 3 milhões em trinta anos, porém quitando tudo em 3 anos. Não há explicação alguma para a origem desses 6 milhões de reais; o Zero Um sempre exerceu mandato político profissional;

4 – Um dos modos de enriquecimento do Zero Um se deu através do esquema de corrupção denominado "rachadinha", que consiste em nomear pessoas, em geral, necessitadas para cargos públicos, mas não para trabalhar e sim para que o próprio político que nomeia se aproprie da maior parte do salário, o que revela a visão instrumental que lança sobre as pessoas, utilizadas meramente como ferramentas para a obtenção de ganhos próprios. Basta observar o que acontece com praticamente todos os ex-aliados dos Bolsonaro, abandonados à própria sorte;

5 – A família Bolsonaro toda está envolvida com os criminosos milicianos que substituem os traficantes nas comunidades pobres, não para dar segurança aos moradores, mas para substituí-los no comércio ilegal de gás, internet (gatonet), transporte em vans e motos e também das drogas, através do controle das bocas de fumo. Não acredite em mim. Faça uma pesquisa no Google com os seguintes parâmetros “Flávio Bolsonaro” e “Rio das Pedras”. Dê uma lida nos resultados obtidos e conclua você mesmo;

6 – A família Bolsonaro, e principalmente o Zero Um, está completamente atolada no escândalo do Vorcaro, a quem o Zero Um chama de "irmão" e para quem pediu e recebeu cerca de 70 milhões de reais;

7 – Ex-aliados, que foram muito íntimos dos Bolsonaro, como Julian Lemos, que atuou como coordenador da campanha de Jair Bolsonaro, afirmam que a fortuna real do Zero Um é de cerca de 700 milhões de reais;

8 – O escândalo do Banco Master e o Dark Horse, envolvendo principalmente a família Bolsonaro e seus aliados, enterraram definitivamente a desculpa moralista esfarrapada do combate à corrupção como justicativa de voto numa extrema direita racista, misógina, homofóbica, antiecológica e anticiência. Dada a dimensão da contaminação política pela corrupção nesse caso, que atingiu mais duramente políticos da direita e da extrema-direita, não é mais possível, de forma honesta, atribuir aos políticos de esquerda a primazia na corrupção. O eleitor deve votar em quem ele vislumbra mais competência para o governo;

9 – A família Bolsonaro é traidora da pátria. A oposição política não pode chegar ao ponto de justificar o ato de pedir intervenção de uma potência nuclear como os EUA contra o país, o que pode ter sérias consequências no futuro. Quem admite isso como válido terá que aceitar que, mais tarde, uma oposição de esquerda peça, por exemplo, a Putin ou ao governo chinês, que intervenha militarmente contra o Brasil em um eventual governo de direita;

10 – A família Bolsonaro se afirma "terrivelmente evangélica" e é apoiada por pastores evangélicos raivosos como Malafaia, ou seja, são assumidamente extremistas religiosos da fé evangélica, o que certamente provocará conflitos de natureza religiosa, o que já vem ocorrendo com os ataques e destruição de templos das religiões de matrizes africanas, mas tem potencial explosivo para atingir templos, imagens e feriados sagrados da maioria católica, situação que, antes deles, sequer se cogitava nesse país;

11 – Por falta de inteligência política e capacidade administrativa, a situação econômica do país piorou muito durante o governo do pai. Certamente piorará ainda mais com o Zero Um, publicamente reconhecido como ainda mais frágil politicamente do que o “Zero zero”;

12 – Nos governos de Lula, os indicadores de inflação, desemprego, renda média do trabalhador e crescimento econômico estiveram entre os melhores da história do Brasil. Nenhum governo desse país, muito menos o do pai do Zero Um, jamais cuidou melhor dos pobres, da educação e da saúde pública como Lula. Você intimamente sabe disso, por mais que esteja em negação ou na cegueira de um antipetismo doentio;

13 – O motivo 13 para não votar no Zero Um, é que você, eleitor, não é um idiota. Pode ter críticas ao PT, justas até, mas não vai sacrificar a si e à sua família por conta de um antipetismo irracional, muito menos para beneficiar uma família que, além de nunca ter demonstrado possuir as qualidades necessárias para governar um país complexo como o Brasil, tem, pelo contrário, fortíssimas evidências de que não quer o governo pelo bem do país, mas pelo bem da própria família. Faça um bem a si mesmo: não atire no próprio pé.

sábado, 26 de setembro de 2026

Epidemia Vorcaro: Pode faltar quórum para o julgamento pelo STF

Todos temos assistido, estupefatos, aos fatos envolvendo os ministros do Supremo Tribunal Federal. Há muito calor e muita emoção permeando as discussões sobre esses eventos, não somente entre os ministros, mas também no meio jornalístico e entre nós próprios, cidadãos. Tanto na malsinada sessão do Supremo, dessa última terça-feira (dia 15/09), como nos relatos da imprensa e nas discussões pública, há muita conveniência, hipocrisia e sectarismo, mas pouca inteligência, racionalidade e lógica.

Ante de iniciar qualquer análise, é imperioso entender alguns detalhes.

O ministro André Mendonça é relator de dois procedimentos de natureza penal que tramitam no Supremo que envolvem os escândalos denominados de “Caso Master” e de “Farra do INSS”. Os procedimentos apuram a suposta participação de autoridades públicas em desvio de dinheiro público, recebimento de vantagens indevidas e outros ilícitos conexos. Os dois escândalos estão interligados pela figura do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e, juntos, talvez representem o maior escândalo de roubo de dinheiro público da história do Brasil, valores que fariam os desvios da Lava Jato parecerem roubo de pirulito.

Segundo as informações até o momento divulgadas, o Banco Master foi utilizado por Vorcaro para a prática, por via de empréstimos consignados fraudulentos, de rapinagem de aposentadorias e pensões pagas pelo INSS. A avaliação produzida pela imprensa é que, dos cerca de R$ 6 bilhões de reais desviados dos aposentados e pensionistas, o banco de Vorcaro teria se apropriado de quase um terço, pouco menos de R$ 2 bilhões de reais.

Além disso, o Banco Master foi beneficiado por transferências bilionárias de instituições públicas. Os exemplos mais impactantes são o Banco de Brasília (BRB) e o Rioprevidência.

O BRB é uma sociedade de economia mista do Distrito Federal que, durante o governo do bolsonarista Ibaneis Rocha, e em momento no qual já se encontrava em situação econômica fragilizada, decidiu “investir” mais de R$ 12 bilhões de reais em papéis podres do banco de Vorcaro.

O Rioprevidência, autarquia estadual que administra e paga as aposentadorias e pensões dos servidores públicos do estado do Rio de Janeiro, com situação equilibrada até então, passou a balançar as pernas após o “investimento” de R$ 3 bilhões feito no Banco Master pelo governador bolsonarista Cláudio Castro.

São exemplos significativos. Além dessas instituições públicas, um sem-número de outras também resolveu “contribuir” para o empoderamento dos cofres de Daniel Vorcaro através de repasses de dinheiro público.

Isso evidencia que todo dinheiro “doado” para agentes públicos por Vorcaro, suas empresas, seus sócios, seus “laranjas” ou contratos de prestação de serviços superfaturados ou totalmente fajutos, possui finalisticamente natureza pública. Conclui-se, assim, que tais “doações” consistem em obtenção de vantagem indevida pelo agente público que as recebeu, inclusive, e talvez principalmente, os ministros do Supremo Tribunal Federal.

Nesse sentido, é hipócrita, iludida ou ingênua algumas alegações de que os valores prodigamente entregues por Vorcaro a incontáveis agentes públicos possuem natureza privada, não sujeito à fiscalização dos poderes públicos.

Disputa narrativa, fogo “amigo” dos críticos de esquerda e eleitores que pensam ser de direita

 

                Publicado originalmente no jornal GGN em 15/07/2026

A candidatura da extrema direita, embora tenha sofrido algum prejuízo eleitoral por conta do escândalo do caso Master e ainda que tenha sofrido perda de intenções de votos segundo as pesquisas eleitorais, continua inacreditavelmente forte, o que é espantoso. É tarefa complexa definir o que move uma porção significativa do eleitorado brasileiro a apoiar um movimento político que é majoritariamente repudiado pela mais destacada inteligência brasileira.

O repúdio não decorre de preconceitos ou “memes do Zap”, mas da constatação de que a extrema-direita, além de ser um movimento político claramente favorável aos interesses dos mais ricos, portanto com alto teor de malignidade coletiva, persegue o retorno a um modelo de sociedade que existiu em momento sombrio e indigno do passado da humanidade, o qual se pensava para sempre solapado. Um passado no qual pobres, mulheres, negros e indígenas eram considerados cidadãos de terceira classe, sem direito a autodeterminação ou a votar e ser votado; no qual o direito de voto era censitário, somente podendo ser exercido por quem tinha posses; no qual qualquer orientação diversa da heterossexual tinha que ser sufocada ou exercida clandestinamente, sob pena de repúdio, prisão ou morte; no qual a questão ambiental nem era uma questão a ser considerada politicamente; no qual o liberalismo econômico era pleno, autorizando jornadas de doze horas em seis dias da semana, inclusive para crianças de cinco anos, com o domingo liberado não por questão de saúde do trabalhador, mas em favor da religião, e sem espaço para direitos trabalhistas ou previdenciários; no qual a imensa maioria dos pobres não era sequer considerada na elaboração de políticas públicas voltadas à moradia, saúde, segurança, educação, saneamento básico e outras.

Esse projeto de retorno às indignidades do passado não se resume ao plano do desejo, tendo sido concretizado ou assim tentado, nos quatro anos em que a extrema direita esteve no poder. Apesar disso, no entanto, as pesquisas indicam que parte significativa dos eleitores continuam a dar sustentação. O apoio eleitoral vem, inclusive, de parte dos eleitores negros, mulheres e pobres, categorias que possivelmente seriam as mais prejudicadas pelo eventual retorno do neofascismo ao poder.

A submissão histórica de milhões de desfavorecidos ao poder estabelecido nas mãos de poucas pessoas não é novidade. Ao longo do tempo, muitos pensadores se debruçaram sobre a questão dos motivos que levam milhões de pessoas a aceitar passivamente a hierarquia social injusta imposta pelos pouquíssimos ricos que integram a elite dominante. São exemplos Étienne de La Boétie, no século XVI, com seu “Discurso da Servidão Voluntária”, e, mais recentemente, Paulo Freire, que enxergava a ausência de educação libertadora como culpada pela resignação ou mesmo adesão do povo aos interesses opressores. Educação libertadora deve ser entendida como aquela capaz de criar visão humanística e capacidade crítica nos indivíduos e não, como ocorre, meramente aperfeiçoar as engrenagens biológicas de que o setor produtivo necessita para funcionar.

Israel: um equívoco bíblico e geopolítico

 


            Publicado originalmente no jornal GGN em 22/06/2026

Por respeito aos leitores, aviso, antes que iniciem a leitura, que o texto é longo, mais até do que costumam ser meus textos. Confesso ser incapaz de escrever poucas linhas sobre temas que considero complexos. Ao iniciar um texto, tenho um tema como alvo, mas não planejo a sua extensão. Porém, com raras exceções, acabam se alongando mais do que parece ser admissível nos tempos tuiterianos. E, para piorar, a cada leitura de revisão o texto mais se alonga do que reduz. Então, para os que preferem os textos ou vídeos curtos de BlueSky, X, Instagram ou Youtube, não recomendo a leitura. Provavelmente será considerada cansativa e talvez aborrecida. Para os que não se importam com isso ou os que preferem textos longos (sim, eles existem), espero que apreciam a leitura, que, como já sugere o spoiler do título, será sobre Israel.

Dito isso, passo ao tema.

O Estado soberano moderno é constituído por três elementos fundamentais, povo (ou nação), território e governo. Em síntese bastante apertada, e via de regra pois existem exceções, o conceito de nação exige a presença de identidade histórica, linguística, social e cultural, bem como, mas não necessariamente, religiosa e de ancestralidade, já que, em geral, a luta por autonomia política depende de um sentimento coletivo de pertencimento em um grau elevado, que, ao menos em princípio, somente é capaz de ser atingido pelas forças agregadoras de um passado comum.

Território é o elemento puramente geográfico, ou seja, é o local no qual o povo se estabelecerá após a conquista da autonomia e sobre a qual exercerá sua soberania. Pode estar vinculado à ancestralidade do povo, ou seja, tratar-se do local de origem da pessoa e de seus ascendentes, mas isso não é condição sine qua non. A vontade de alcançar a autodeterminação coletiva em território independente, seja onde for, pode ser mais importante do que manter a visão das colinas da infância. Inclusive, a desnecessidade de que o Estado soberano seja criado sobre um território vinculado ao passado do povo é um elemento importante que será considerado na presente reflexão.

Por fim, governo é a instituição administrativa do Estado que exerce o poder político e possui a finalidade de planejar e executar a distribuição dos recursos escassos.

Existindo esses três elementos (povo, território e governo), a autonomia coletiva ou a soberania surge a partir de dois métodos históricos principais, que podem ser utilizadas isolada ou conjuntamente: força bruta e negociação política interna e/ou externa.

A presente reflexão é sobre o processo de formação de um Estado soberano relativamente recente, Israel, que conta apenas setenta e oito anos. Refletir sobre Israel se justifica pelo relevante fato de que, desde sua criação, tornou-se um grave fator de desestabilização política mundial. Os problemas daí decorrentes não preocupam somente a Palestina ou Israel, mas o mundo. Não se trata de apontar culpas, mas de entender que, desde sua gênese, a criação de Israel num território milenarmente ocupado por vários povos distintos, sem ponderações sobre as vontades coletivas de cada um deles, passou a provocar turbulências políticas e econômicas severas que são suportadas, em maior ou menor grau, por todas as pessoas do mundo, saibam elas disso ou não.

Ações erráticas de Donald Trump: uma possível explicação.

Publicado originalmente no jornal GGN em 02/06/2026

Ao contrário do que alguns supõem, Marx não sustentou que a ascensão do comunismo dependeria exclusivamente da elevação do nível de consciência de classe capaz de conduzir à organização coletiva de uma revolução proletária. Segundo Marx, a revolução do proletariado seria capaz de acelerar esse processo. Todavia, o advento do comunismo disso não dependeria, tratando-se de uma inevitabilidade; o resultado inexorável das próprias contradições intrínsecas ao capitalismo mais avançado.

Além do surgimento dessas contradições como fato gerador impositivo do novo sistema econômico, seria desejável que a ascensão do comunismo ocorresse quando o desenvolvimento tecnológico dos meios de produção alcançasse a estrutura material apta a produzir em abundância os bens de que o povo necessita, assim superando a escassez inerente ao capitalismo em função da necessidade de lucro.

Como a História demonstra, as revoluções comunistas foram realizadas em países que não se encontravam nesse patamar mais avançado, o que possivelmente favoreceu o fracasso dessas experiências, ao menos no que toca à efetividade e manutenção do sistema econômico comunista. Em alguns, a precocidade revolucionária basicamente obrigou a instauração de um totalitarismo violento como forma de conter a dissidência composta pelo povo insatisfeito e pelos ainda não convencidos. Aqui vale destacar que a ditadura do proletariado, prevista por Marx, não necessariamente deveria se materializar em repressões violentas e assassinas, tratando-se meramente de substituta da ditadura da burguesia que estava no comando até então e continua prevalecendo.

O fato é que a União Soviética não somente naufragou em sua proposta comunista como deixou de existir. A China, por sua vez, para sobreviver, adotou um sistema misto, o socialismo de mercado, que parece capaz de chegar ao necessário nível de avanço tecnológico do capitalismo, ainda que sob controle estatal, ou seja, com eliminação ou redução dos efeitos daninhos do capitalismo tardio, como a financeirização extrema. Nesse momento, é muito difícil qualificar a China como um efetivo país comunista. Os meios de produção não são propriedades do Estado, salvo aqueles considerados estratégicos, atributo não exclusivo do comunismo, encontrando eco em países capitalistas que atuam para controlar setores eleitos, como os de energia ou saneamento, por exemplo.

Generais insubordinados e pastores extremistas: nossas saúvas famintas

Publicado originalmente no jornal GGN em 11/01/2023


O Brasil assistiu, estarrecido, a vandalização da capital da república, realizada por cerca de três ou quatro mil pessoas vestidas com o uniforme verde e amarelo da adorada seleção brasileira do craque Neymar. Alguns deviam cantarolar “eu já lavei o meu carro, regulei o som, já tá tudo preparado vem pois quebrar tudo é bom” enquanto destruíam o Congresso, o STF e o Palácio do Planalto. Outros agrediram violentamente os raros policiais que tentaram contê-los, quem sabe seguindo os ensinamentos de Roberto Jefferson em seu tutorial de defesa da democracia. Muitos, profundamente religiosos como a Cássia Kis, ajoelharam-se e rezaram, talvez pedindo sucesso na empreitada de “salvar o país dos comunistas” através da destruição total do que encontravam pela frente, inclusive o acervo artístico e histórico que havia nos palácios. Vários, com a ênfase extática similar à de um pastor fervoroso como Malafaia, diziam que faziam aquilo em nome de Deus, da pátria, da família, da liberdade e, ao que parece, também em nome de seu mito. Havia os que, possivelmente satisfeitos com o que inicialmente parecia ser o sucesso da operação, gravavam em vídeo, para divulgação nas redes sociais, o rosto alegre e sorridente, como o de Regina Duarte quando invocou o pum do palhaço. E batiam continência para os policiais e soldados que lhes protegiam, como se estivessem à frente de um general Villas Boas, um Braga Netto ou até mesmo, vá lá, de um Augusto Heleno.

Após a estupefação inicial, recuperada a sanidade racional, indaga-se: quem, de fato, foi surpreendido com o acontecido? Ao meu ver, talvez a ema que pasteja no gramado do Planalto, aquela que recusou a cloroquina. Ainda assim, tenho dúvidas. Fora a ema, a mais ninguém, surpresa zero. Trata-se de tragédia anunciada, previsível há tempos, e bota tempo nisso.

A selvageria, inédita, pela intensidade, na história da república, é o resultado direto da leniência das autoridades, principalmente as militares, com as “manifestações pacíficas” que há três meses vêm bloqueando as estradas, impedindo violentamente uma criança de ter seus olhos operados (“que fique cego”, disse o manifestante “pacífico”), sonegando a uma filha o direito de se despedir da mãe moribunda, atacando agressivamente jornalistas de rádio e televisão que não fossem da Jovem Pan, tocando fogo em veículos, colocando bomba em caminhão-tanque para explodir aeroporto e se amontoando sem impedimento em frente aos quartéis.

Antes disso, já era previsível a partir das notícias dando conta de fascistas invadindo festa para assassinar aniversariante esquerdista, espancando pessoas desconhecidas na rua pelo simples fato de vestirem alguma peça de roupa vermelha, vandalizando veículos que ostentassem o símbolo de partidos de esquerda ou o nome de seus candidatos e outras ações desse naipe. E, na verdade, bem lá no começo, já tudo indicava que assim seria quando o “mito” deles, munido de imenso amor cristão e evangélico, dizia ser a favor da tortura e de assassinatos políticos, enquanto seu filho desfilava com camisa portando a inscrição “eu, tranquilamente, vou te matar”.

segunda-feira, 18 de maio de 2026

A “defesa” de Flávio Bolsonaro é ridícula e inaceitável

 

O imbróglio no qual se encontra atolado o senador Flávio Bolsonaro é indefensável e, em situações normais, deveria conduzir o Senado a iniciar um procedimento administrativo disciplinar para a apuração, em tese, de possível improbidade administrativa ou, na melhor das hipóteses, de falta de decoro parlamentar.

Um senador da República, no pleno exercício de suas funções, não pode servir ao papel de arrecadador de fundos privados para nenhum tipo de iniciativa, cultural ou não, e muito menos ainda quando a iniciativa se refere a prestar louvor ao próprio pai. A admiração filial é natural mas o presente ao pai deve ser custeado pelo próprio bolso.

O que não pode é um parlamentar visitar milionários com o intuito de intermediar investimentos vultosos para uma iniciativa privada, um filme cujo propósito é louvar um político ainda vivo e, pior, que possui a qualidade pouco invejável de ser presidiário após condenação criminal. Tal intermediação, praticada pelo senador, atenta contra os princípios públicos da impessoalidade, da moralidade e da transparência (publicidade).

O conflito de interesses é evidente e o fato de ocupar o cargo de senador da República é por si um modo de coação daquele a quem se pede a doação. Se qualquer um do povo se dirigir a um milionário para pedir cinco mil reais para um sopão dos pobres, ele provavelmente vai rir da cara do pedinte. Se o pedido vier de um senador da República, o milionário, apesar de insatisfeito, doará sem hesitar dezenas de vezes mais, para garantir que não haverá rancor e retaliação.

sábado, 25 de abril de 2026

Mensagem para os meus amigos

 


Publicado originalmente no Facebook, em 20/03/2015 

Hoje em dia praticamente não utilizo mais o Facebook como um meio de inter-relação de amizade. Resolvi deixar isso para o mundo físico, para o contato real e visual, como sempre foi até poucos anos atrás. O Facebook constitui para mim, atualmente, apenas um canal de troca de informações e ideias sobre a política nacional, através do qual divulgo textos de minha autoria e também de outras pessoas, que considero importantes para reflexão.

Contudo, hoje farei uma exceção para dirigir-me aos meus amigos e familiares reais, de carne e osso, não virtuais.

Pertenço à classe média e maior parte de vocês, meus amigos, também.

Essa mesma classe média que tem se colocado contra o governo do PT.

Nada contra, faz parte do jogo democrático ser contra um partido e desejar que outro seja escolhido para governar. Fiz isso a vida toda. Os partidos políticos existem para isso mesmo, para representar as diversas formas do pensar político da sociedade. Democracia é isso: é o cidadão possuir o direito sagrado e inalienável de opção quanto àquilo que considera o melhor caminho para a sociedade.

Do mesmo jeito, realizar manifestações, greves e passeatas é o jogo jogado da liberdade de expressão. O cidadão tem o direito de exteriorizar sua insatisfação com o projeto político que está em andamento.

Todavia, existem limites insuperáveis nesse jogo político. Um desses limites é a exteriorização de preconceitos, de falta de humanidade, de sensibilidade pela dor do outro ser humano e de clamor pela vinda de um regime de exceção, de uma ditadura.

sexta-feira, 27 de março de 2026

A invasão da Venezuela e a ameaça à supremacia do mundo civilizado

 

Publicano no jornal GGN em 13/01/26, às 10:38

 A invasão da Venezuela define um marco histórico negativo com significado geopolítico ainda mais grave do que os conflitos de Palestina ou Ucrânia. Não que se esteja pondo em dúvida a gravidade do genocídio palestino, que é indubitavelmente gravíssimo e indesculpável, ou da quebra da soberania ucraniana, que, ao fim e ao cabo, certa ou não, trata-se de resposta da Rússia às sucessivas quebras dos acordos encetados com os países da Otan.

O que se coloca é que, sob o ângulo das relações internacionais, a invasão da Venezuela expõe um perigo imperialista muito maior e difuso, capaz de atingir, sem exceção, todas as soberanias do mundo, dada a quase inesgotável capacidade militar do país ofensor, os EUA, e às bravatas expostas publicamente pelo seu tresloucado governante, o ególatra Donald Trump.

Não é de hoje que os Estados Unidos fizeram ressurgir a ótica do poder absoluto que predominava dezenas ou centenas de séculos atrás pelos impérios mais poderosos, como o romano, e mesmo antes disso, com as chamadas invasões bárbaras praticadas por vândalos, hunos, visigodos e tantos outros povos nômades, que visavam apenas o saque, a rapinagem, a pirataria e o massacre, sem pretensão de dominação permanente.

Como já tive a oportunidade expor em texto anterior, os Estados Unidos da América representam o exército defensor das corporações mais ricas do mundo. Não são “o” império, mas, sim, o soldado e a espada dos imperadores, que são os bilionários oligarcas.

Através desse braço armado, representado pelos Estados Unidos, a economia mundial vem sendo submetida à vontade desses novos imperadores de quatro modos principais, mas não únicos: