Após
o fim do ciclo militar, com Sarney assumindo a Presidência às
pressas, em substituição ao falecido Tancredo Neves, o país
ingressou num longo e tedioso período de calmaria política, somente
interrompido em situações episódicas, como a dos caras-pintadas
que exigiam a saída de Fernando Collor da presidência.
Não
se discutia política no Brasil. O churrasco era regado a cerveja e
conversas sobre futebol, carnaval e mulheres. As queixas eram
genéricas, as de sempre: péssima educação pública, péssima
saúde pública, péssima segurança pública e por aí vai. São
queixas com as quais o brasileiro se encontra acostumado, afinal, o
serviço público é ruim no Brasil desde Cabral. Ninguém, porém,
brigava com o amigo por conta do presidente que ele escolheu. No
máximo, uma piada sobre o mau-gosto e nada mais.
E
outra coisa: como pouco ou nada se discutia de política numa era de
pouco fluxo de troca de informações interpessoais, quase nada
sabíamos de fato sobre o que as pessoas à nossa volta, amigos e
familiares, realmente pensavam sobre política.

