Classifica-se
de “grau zero” o instante, o ponto, o momento a partir do qual o
objeto pensado perde o seu significado, sendo aniquilado em seu
sentido axiológico, esvaziando-se completamente de sentido e
finalidade. Instaurado esse niilismo essencial, o objeto pode
continuar formalmente a existir, porém encontrando fundamento de
validade em outra dimensão da realidade estrutural e com alteração
das regras até então estabelecidas. No fundo, deixa de existir e o
que subsiste é coisa distinta, de outra essência e com outra
finalidade.
Nesse
sentido, grau zero da política seria o momento a partir do qual a
política se despe de sua finalidade histórica de instrumento de
mediação entre os diversos interesses conflitantes na sociedade em
torno dos modos de direcionamento das demandas públicas. Através da
política se evita a necessidade de utilização da força física,
bruta, como meio de vencer as discussões públicas, o que sempre
privilegiará os mais fortes em detrimento dos desfavorecidos,
desequilibrando a balança social.

