terça-feira, 30 de agosto de 2011

A Igreja Católica é monoteísta?



Peço antecipadamente perdão aos leitores religiosos, porém não creio que algum assunto, por mais delicado que seja, deva estar imune à discussão e ser dogmatizado como inexorável tabu. Não existem assuntos tabu. Qualquer coisa pode ser objeto de análise racional e passível de ser discutido por pessoas também racionais.
O introito é necessário pois tratarei aqui de uma questão religiosa, sempre delicada, e que afeta especificamente a definição da igreja católica como monoteísta.
A questão envolve a seguinte indagação: como é possível conciliar a existência de tantas pequenas divindades no catolicismo com sua qualificação de religião monoteísta?
Monoteísmo, como todos sabemos, é caracterizado pela crença em um só Deus. Os judeus, por exemplo, sequer acreditam no demônio como um rei de seu próprio reino. Para eles, é apenas um auxiliar de Deus, que trabalha a seu mando. Claro que, nesse caso, ainda fica a questão da natureza de anjos e demônios. Dado que não são seres humanos, devem ser considerados deuses ou semi-deuses, o que também fragilizaria a definição do judaísmo como monoteísmo.
Questionar o monoteísmo católico necessariamente se inicia pela definição da santa trindade. O que significa exatamente um deus que se divide em três manifestações absolutamente distintas? Três emanações da mesma entidade que possibilita aos fieis que rezem, à sua livre escolha, para cada uma dessas três manifestações?
De fato, o religioso católico costuma rezar, ora em nome de Deus (o pai), ora diretamente para Jesus (o filho) ou, se assim desejar, invocando a graça e a benção do Espírito Santo. Os católicos denominam essa tripla possibilidade de "mistério da fé", princípio religioso que, para os profanos orientados pela lógica da razão, se traduz em "acredite sem pestanejar". A palavra "profano", aqui, é utilizada em sua acepção literal de "estranho à religião".
A existência de três emanações divinas em um só deus já produz, por si, um certo conflito com a definição de monoteísmo.
Todavia, não bastasse isso, ainda há questão da inegável santidade de Maria, que é uma deidade acima de qualquer contestação na religião católica, pela igreja ou pelos crentes. Maria é explicitamente adorada pelos crentes, que rezam diretamente para ela pedindo milagres decorrentes de sua graça e poder.
Sob uma perspectiva teológica, como deixar de classificar Maria como uma deusa?
E para "sacramentar" o politeísmo católico, definição obviamente rejeitada pelos fieis, existem os homens santos, deidades para as quais os devotos podem e se habituaram a orar para solicitar intercessão junto a uma das três emanações do deus maior ou, assim como em Maria, para que realizem eles mesmos os milagres ou as graças desejadas. Não há como fugir da definição dos santos como pequenas divindades no panteão olímpico católico.
E há a natureza do Diabo, de Lúcifer ou seja lá o nome que se dê ao oponente de Deus. Os católicos acreditam nele, temem-no. E ele é exatamente o que? Um deus, com certeza. Deus do seu próprio reino, o inferno, capaz de ações que somente deuses possuem, como interferir na vida ou na natureza por sua própria e mera vontade.
No arcabouço mitológico da religião católica, existem também os anjos, que são criaturas que vivem no reino do divino, com poderes sobre-humanos e capazes de utilizar tais poderes, a mando de Deus, para transformar o destino da humanidade, inclusive, assim desejando, destruindo cidades inteiras. Tudo exatamente como um deus olímpico igualmente faria.
Em função dessas contradições, e uma vez que para a definição teológica o milagre da fé é pouco ou nada relevante, a definição da religião cristã católica como monoteísta não se sustenta.
É importante ressaltar que nada há de errado ou de demeritório na definição de uma determinada religião como mono ou politeísta. São muitas as religiões definidas como politeístas, sem nada a desabonar as respectivas fés. A Índia é um bom exemplo de existência de politeísmo não somente respeitado, como admirado em todo o mundo.

Talvez seja hora de nosso bom Papa Francisco I, que tanto tem inovado no catolicismo, dar também essa "sacudida" nessa igreja tão múltipla, que é de Deus, Cristo, Espírito Santo, Maria, santos, anjos e demônios.

2 comentários :

  1. É claro que a religião católica é politeista. Quando creem existem tres pessoas que podem adoradas, e então existem tres deuses, pai, filho e espiritlo santos.

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  2. A igreja Católica não acredita que exista três deuses, que o pai é um deus, que filho e um deus e que o espirito santo seja outro deus, não, como foi dito acima no texto, existe o mistério da fé, que é uma "pessoa" em três nomes, isso também é aceito na maioria das igreja protestantes,e essa afirmação de que "os devotos podem orar solicitando intercessão junto ao deus maior", isso e mentira, não é assim que que a igreja ensina, pedir a intercessão a um santo(a) e o mesmo que orar junto com o santo(a) para que Jesus ouça nossas preces Junto a Deus nosso pai, mas ser devoto de um santo(a) isso não é algo obrigatório dentro do catolicismo, para os católicos, uma coisa e acreditar que a pessoa se tornou santo(a) por méritos de Jesus, e é outra coisa ser devota do santo(a), isso acontece também com Maria. E a igreja ensina que nenhum santo(a) e maior ou mais importante que Jesus, ou que os santos por si só podem nos salvar, ou tais santos(a) representam um deus ou deusa.

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