segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

A sinceridade de Darth Trump, a pax estadunidense, a província venezuelana e o retorno à pré-modernidade


Historicamente, os impérios suseranos dominaram os estados vassalos (ou tributários) de dois modos principais: através da extremada violência ou pela integração cultural.

A extremada violência possui o inconveniente de manter o povo dominado em constante revolta contra as forças do país agressor, situação comercialmente prejudicial, pois desvia a energia do povo para a resistência e sabotagem, não para a produção dos bens desejados pelo país usurpador.

O Império Romano, percebendo isso, adotou uma tática mais sábia: a integração mútua entre as culturas do império e do país invadido, mantendo a estrutura básica de poder, as formas de manifestação cultural e implementando, no território dominado, a sua famosa política de pão e circo que utilizava para a manutenção da tranquilidade social e política na própria Roma. Os romanos perceberam que o povo de qualquer nação deseja, em geral, apenas possuir a sensação de ter uma vida tranquila e com um mínimo de dignidade, bem imaterial que a pax romana implementava.

A tática foi um sucesso, permitindo a expansão do poder romano sobre, praticamente, toda a Europa e parte significativa da África e Ásia, inclusive Oriente Médio.

O reverso da moeda é que, como sói ocorrer em qualquer dominação imperial, com ou sem pax imperialista, o povo dominado permanece no status socioeconômico original, sem perspectiva de melhoria através das gerações. Isso porque a maior parte da riqueza produzida pelo povo dominado é direcionada para os cofres do dominador e não para o florescimento do povo local, cujo destino marcado é o de manutenção eterna daquelas condições mínimas de dignidade que permitem a exploração máxima de cada indivíduo. Em paralelo, todo ato de rebeldia é combatido com violência exemplar, com prisão, tortura ou morte.

Qualquer semelhança desse tipo de dominação “primitiva” com o capitalismo atual não é mera coincidência: o último deriva do primeiro seguindo à risca o ditado popular “entregar os anéis para não perder os dedos” ou “mudar para manter tudo como está”.