segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Hobsbawm e a questão do crescimento econômico

Assim pontificou o saudoso historiador Eric John Ernest Hobsbawm: "Hoje o problema real que se coloca, o maior deles, é que o poder do progresso material e tecnocientífico, baseado em crescente e acelerado crescimento econômico, num sistema capitalista sem controle, gera uma crise global de meio ambiente que coloca a humanidade em risco."
Hobsbawn vai direto na ferida.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Os parasitas do Capital


Os ricos investidores do mercado especulativo são eufemisticamente denominados "rentistas".
Deveriam, na verdade, ser chamados pelo que realmente são: parasitas do Capital.
Define-se parasita como o ser que, agregando-se maliciosamente a outro ser, dele retira toda a energia necessária à sua própria sobrevivência, em prejuízo daquele que é parasitado.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

A Igreja Católica é monoteísta?



Peço antecipadamente perdão aos leitores religiosos, porém não creio que algum assunto, por mais delicado que seja, deva estar imune à discussão e ser dogmatizado como inexorável tabu. Não existem assuntos tabu. Qualquer coisa pode ser objeto de análise racional e passível de ser discutido por pessoas também racionais.
O introito é necessário pois tratarei aqui de uma questão religiosa, sempre delicada, e que afeta especificamente a definição da igreja católica como monoteísta.

Liberdade responsável


É possível alcançar a liberdade plena, que dispensa as correntes. Esse objetivo, porém, é muito difícil.
Liberdade plena envolve desapego total, seja sentimental, seja material.
Por isso, liberdade plena jamais será sinônimo de felicidade. Liberdade plena envolve responsabilidade absoluta.
Melhor pretender a liberdade responsável. A que permite prosseguir no caminho até o ponto no qual a possibilidade de ferir o outro é mínima.

Preso a algumas inevitáveis, e talvez imprescindíveis, correntes, mas sabendo como se liberar de parte delas, quando possível.

Cultura coletiva e direito autoral


Ao nascer, o ser humano encontra o mundo pronto e acabado.
À sua espera, cultura e ideologia estão absolutamente formadas, estruturadas, consolidadas. Todas as histórias já foram contadas, todas as canções já foram cantadas, todas as imagens já foram pintadas.
Inexistem páginas ou telas em branco.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Extremos

A coisa certa a fazer na vida em geral não é encontrada nos extremos de qualquer atitude.
Tanto é equivocada a vida vivida em busca do prazer a qualquer custo, como aquela que retrai qualquer desejo ante o intenso medo da possível dor do desprazer.

Administrar frustrações é o pequeno preço a pagar pelas escolhas feitas no decorrer da vida. São as escolhas que nos dão sentido, que nos tornam quem somos.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Vida

Viver, apenas, não dá conta de explicar a vida.
A vida, como ente real, verdadeiro, transcendente, não se explica pela mera possibilidade de respirar, nutrir-se e reproduzir-se.
Vida, de fato, é sentir, é experimentar, é compartilhar, é admirar coisas e pessoas que estão no mesmo mundo e no mesmo tempo que nós.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Ter e ser

Com o tempo a gente acaba aprendendo que SER é muito mais humano e civilizado que TER.
E, ao contrário do que muitos pensam, construir o SER é tarefa bem mais densa e difícil do que acumular o TER.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

A crise do capitalismo


O capitalismo atravessa uma grave crise e terá um enorme desafio a enfrentar. Um dos vetores dessa crise é a circunstância paradoxal de que, se por um lado o desenvolvimento tecnológico provoca aumento na produtividade, por outro provoca a redução do número de empregos ao tornar supérflua considerável parcela da mão-de-obra. O que antes uma fábrica produzia com 100 trabalhadores, hoje produz o dobro com um terço ou menos disso. Sem emprego, não há renda, as vendas se retraem, a maior produtividade perde o sentido.

Pétalas caídas


Oportunidades perdidas são pétalas caídas e jamais cheiradas dessa rosa que chamamos vida.
Desejos suprimidos em vão não representam, cada um deles, mera frustração, mas também, e principalmente, feridas que pouco a pouco vão minando de nós a humana condição, destruindo-nos a sanidade, transformando a jovem tristeza em decrépito desespero.

A ponte da tristeza



A tristeza não passa de ponte estreita lançada sobre um pequeno rio de amargura, a unir as duas imensas margens dessa terra chamada felicidade.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Casa sem portas


Portas não devem existir nessa casa chamada relacionamento.
Qual serventia, se nela não se obriga a entrar?
E se onde há amor verdadeiro, inexiste abandono, quem dela sairá então?
E se, por tristeza, o nobre sentimento faltar, que porta será capaz de impedir a saída daquele que não almeja ficar?
Se é assim, então, não edifiquemos portas para acalmar nossa insegurança.
Confiemos que a pessoa amada permanecerá.
Atada pelo amor, não pelas portas fechadas de uma relação transformada em prisão.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Pornografia e prostituição: certo ou errado?

O autor de um texto que li posiciona-se contra a pornografia e a prostituição. Segundo ele, tanto uma, como outra, são componentes de uma indústria do sexo que "coisifica o corpo da mulher".
Não pretendo fazer apologia da coisificação do ser humano, em qualquer de seus aspectos, mas entendi que a crítica se estendia para além disso, para qualquer tipo de prostituição ou qualquer tipo de pornografia. Desse transbordamento, discordo.
Isso porque a prostituição sempre existiu e, pelo visto, sempre existirá, ainda que seja exterminada a tal "indústria do sexo". Isso porque sempre existirão pessoas que, sem outra alternativa, exercerão a prostituição como fonte de subsistência. E, num ambiente utópico desprovido de miséria e pobreza, sempre existirão os que pratiquem a prostituição simplesmente por gostar da atividade (e por que não?).

domingo, 10 de abril de 2011

A tragédia de Realengo e a lei do desarmamento


Após essa tragédia lamentável de Realengo, há pessoas que se apegaram à ideia de que, tivesse a Lei de Desarmamento sido aprovada, a tragédia teria sido evitada. Com isso, criticam aqueles que votaram pela possibilidade legal de aquisição de armas.
O raciocínio é incorreto. A Lei do Desarmamento, se aprovada, absolutamente em nada mudaria a possibilidade de ocorrência de tragédias como essa. Armas ilegais não são somente as obtidas através de roubo ou furto das legais, mas também através de contrabando. Ou seja, o lunático poderia obter uma arma importada ilegalmente.

terça-feira, 15 de março de 2011

Bon Jovi e o receio das novidades tecnológicas



Tempos atrás, li uma reportagem segundo a qual o cantor Bon Jovi acusava o chefão da Apple, Steve Jobs, já falecido, de matar a indústria da música com a eliminação das mídias físicas e a possibilidade de baixa de músicas diretamente do "aitunes" para "aipods" e "aipédis". Segundo o cantor, “as crianças de hoje perderam a experiência de colocar os fones de ouvido, aumentar o volume ao máximo, segurar a capa do CD, fechar os olhos e se perder em um álbum; e a beleza de pegar a mesada e tomar uma decisão baseada na capa, sem saber como o álbum vai soar, e olhar para um monte de imagens paradas e imaginar”.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Mensagem para meu amigo




Decidi escrever essa mensagem para você, a quem considero amigo e a quem estimo com profundidade tanta que não poderei jamais deixar de lhe desejar sempre o melhor e dedicar cordial respeito.
A mensagem tem por justificativa o reconhecimento de que há, em mim, obscuridades que por certo lhe parecem incompreensíveis e causadoras de espanto e inquietação. Tentarei esclarecer algumas dessas zonas de sombra, como forma de demonstração de meu interesse em manter sua sincera amizade e seu afeto.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

A escrivã nua



No mês de junho de 2009, dois delegados da Polícia Civil do Estado de São Paulo, os policiais Eduardo Henrique de Carvalho Filho e Gustavo Henrique Gonçalves, ambos da Corregedoria da Polícia, com apoio de duas policiais militares, algemaram e tiraram, à força, a calça e a calcinha de uma escrivã que era investigada pelo crime de concussão.
As imagens estão no Youtube. Para quem quiser assistir, o endereço é http://www.youtube.com/watch?v=tZxFxABQ4Lw.
Antes de ser despida, a escrivã implorou, durante quase cinquenta minutos, que fosse revistada por policiais femininas, pois não queria ficar nua na frente de homens.
Cinquenta minutos!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Feliz natal, feliz ano novo


Ouço por vez pessoas maldizendo os festejos de datas como o Natal e Ano Novo e pergunto-me por que essas pessoas não gostam dessas datas.
Realmente não sei a resposta, mas preciso admitir que, tempos atrás, também não gostava de Natal e Ano Novo. E qual era mesmo desculpa que utilizava, então, para afirmar meu descontentamento? Ah, claro, era um chavão:
“O Natal e o Ano Novo são datas impostas pelos donos do capital internacional como um meio de incrementar o comércio e com isso obter ainda maiores lucros. É um engodo sentimental que somente pode interessar aos lobos capitalistas”.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Querido Papai Noel


Querido Papai Noel,
Creio ter sido uma boa pessoa durante esse ano. Não matei, não feri, não roubei, fui dedicado e carinhoso à minha esposa e minhas filhas. Tratei meus amigos com consideração e afeto.
De um modo geral, procurei ser tolerante com o próximo (bom, tive vontade de socar aquele estúpido que me deu uma “fechada” assassina no trânsito, mas limitei-me a abaixar o vidro, pôr a cabeça pra fora e xingar a pobre da mãe do desinfeliz... foi mal, Papai Noel).
Bem, tirando isso, acho que fiz por merecer um presente seu, meu bom velhinho. Então, pensei longamente sobre o tipo de presente que gostaria de receber. Você sabe bem, velho Noel, pelas cartas que te enviei, que quando mais jovem desejava presentes caros e modernosos, mas você jamais atendeu meus desejos (como diria o Pernalonga, o que é que há, velhinho? Magoei). Mais experiente um pouco, até recebi alguns, mas aí o encantamento já havia cessado.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Para que servem as palavras?


Para que servem as palavras?
Segundo Leibniz são duas as suas utilidades. Uma é falar a nós mesmos, organizando nossos pensamentos e auxiliando nossas memórias. A outra é comunicar nossos pensamentos para as outras pessoas.
Quando falamos conosco mesmos as palavras são perfeitas, pois sabemos exatamente o que quisemos dizer com cada uma delas. Nós entendemos a nós mesmos perfeitamente.
Contudo, quando transmitimos nossos pensamentos para as outras pessoas as palavras são imperfeitas, pois nem sempre conseguimos comunicar exatamente o que pensamos. Acontece das pessoas interpretarem as palavras com um significado que a elas não imprimimos em nossas mensagens.