segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Súplica aberta, em nome dos despossuídos, ao detentor do verdadeiro poder


Sr. chefe do clã Roberto Marinho, antes de mais nada, deixe-me esclarecer que, a partir da morte do patriarca Roberto Marinho, não se sabe bem quem manda no conglomerado Globo, se é o Roberto Irineu, o João, o José ou outro qualquer oculto do público (Kamel, Schroder, talvez Bonner? Não, o Bonner do "Homer Simpson" não pode ser...), sendo essa a razão que me conduz a direcionar a presente súplica a um indeterminado "chefe do clã", seja quem for.
Sr. chefe do clã, o senhor, claro, não me conhece e, provavelmente, jamais conhecerá. Pertencemos a mundos que jamais se tocam, sequer tangenciam. Parafraseando o famoso livro, sua classe é de Vênus, a minha é de Marte. O senhor é um bilionário, um empresário altamente poderoso, que integra o milésimo superior da população humana e se relaciona com as pessoas mais poderosas do planeta. Basta o seu simples desejo e estará apreciando um Macallan, 1946, baforando um Gurkha Black Dragon ou um Cohiba Behike, enquanto aguarda o prato mais caro pedido no Restaurant Le Meurice, em Paris. Não se surpreenda, não conheço nada disso, pesquisei no São Google, o pai dos descerebrados.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Entre a prisão e o ócio remunerado, que tipo de sociedade desejamos?



Presumindo-se que todos ainda sejamos capazes de sonhar, que tipo de sociedade nós, brasileiros, desejamos para viver? Que espécie de comunidade humana reside em nossas utopias mais longínquas?
Assim como todo objeto de estudo, sociedades podem ser categorizados de diversas formas. Costumam ser rotuladas como abertas ou fechadas, capitalistas ou comunistas, democráticas ou ditatoriais, modernas ou primitivas, e diversas outras, sendo possível avançar em infinitas divisões categóricas mais adequadas ao estudo que se pretende.
No presente caso, interessa a divisão próspera ou opressiva, mais adequada e abrangente do que, simplesmente, feliz e infeliz, que também caberia, porém dizendo menos do que se pretende.
Embora semanticamente a palavra opressão

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Playboys antipetistas atacam o inatacável Chico Buarque


Chegamos a esse ponto: um bando de riquinhos idiotas antipetistas bêbados pensa ser capaz de competir em termos de intelectualidade com ninguém menos que Chico Buarque. Não bastasse isso, acham que possuem o direito de ofendê-lo por sua inclinação política. Antes, já haviam agido assim com Guido Mantega, com Haddad, com Gregório Duvivier e tantos outros, até um cadeirante petista foi agredido pela intolerância política.
É sempre assim: membros da Ku Klux Klan se sentiam superiores aos negros e portanto consideravam um ato de justiça divina espetar cruzes flamejantes nos quintais das casas de negros, violentá-los e matá-los. Nazistas arianos julgavam-se integrantes de uma etnia melhor do que a dos judeus, sentindo-se livres para persegui-los, colocá-los em guetos, aprisioná-los em campos de concentração e dizimá-los em câmaras de gás.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

O lado acertado de uma profecia ridícula ou sobre golpes e golpistas: Merval, Temer, Cunha e Gilmar


Merval Pereira, com seu artigo Merval Pereira, com seu artigo "Caminho Livre", caiu no ridículo pela profecia totalmente equivocada quanto ao resultado do julgamento do STF sobre a manobra de Cunha na Câmara para prejudicar a Dilma no processo de impeachment.
Animado com o voto de Fachin e, provavelmente, insuflado pelo Gilmar Mendes, de quem é amigo, Merval imaginou que o rito adotado por Cunha seria aprovado no STF de forma quase unânime. Deu no que deu.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

O impeachment passará, Dilma perderá a presidência


Michel Temer enviou “carta confidencial” à presidenta Dilma pretensamente para esclarecer como se comportará em relação ao pedido de impeachment. Após várias linhas de lamúrias infantis e ralas, ele informa, em uma singela frase, o que fará: permanecerá em silêncio obsequioso, com o objetivo de alcançar unidade partidária dentro do PMDB.
Em outras palavras: “Sra. Presidenta Dilma, participarei do golpe e tentarei tomar o poder”.
A carta é histórica. Pela primeira vez uma pessoa pública de importância significativa no cenário político brasileiro tem a coragem de expor publicamente as próprias entranhas fisiológicas ao povo.
Michel Temer, completamente despreocupado com a explicitação de seu caráter, relata à Dilma uma série de frustrações vaidosas e ególatras

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Lava Jato poderia ser uma ótima operação, mas não é




A Lava Jato poderia ser uma ótima operação, mas não é.
Não tenho dúvida alguma de que crimes ocorreram e ainda ocorrem na política brasileira, antes e após o ingresso do PT no governo federal. Tampouco tenho dúvida alguma de que, infelizmente, continuarão a existir após a saída do PT.
É evidente que esses criminosos, sempre que possível, devem ir para a cadeia. Qualquer pessoa minimamente honesta assim deseja.
Não é por apologia à corrupção que defendo o governo e critico a Lava-Jato, mas por verificar que essa operações se degenerou, transformando-se num mecanismo antidemocrático de oposição ao governo. Praticamente todos os ilícitos praticados por pessoas públicas da oposição estão sendo acobertados. De que forma isso pode ser classificado como combate honesto à corrupção?

domingo, 29 de novembro de 2015

Lava Jato possui apenas a aparência do bom direito

Enquanto nossa imprensa não vê problema algum nos procedimentos de nossos juízes heróis e estrelas, como Joaquim Barbosa e Sérgio Moro, a imprensa estrangeira lança sobre eles um outro olhar, como demonstra o jornal The Sunday Times, cujo link forneço abaixo.
Outro dia, foram os alemães e os espanhóis. Agora, são os juristas ingleses a acusar a Lava Jato de ferir princípios constitucionais do Brasil. Falam sobre coisas que estranhamos, coisas sofisticadas que integram o cotidiano de países mais avançados civilizatoriamente. Coisas como direitos humanos, defesa irrestrita dos direitos e garantias individuais, devido processo legal, ampla defesa e vedação incondicional de provas obtidas por meios ilícitos. Claro, eles não entendem nada de Direito, não é mesmo?

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Fernando Gabeira: a melancólica capitulação de um ex-rebelde



Era o segundo semestre de 1986. Tinha acabado de ingressar na Faculdade de Direito. A vida, e suas vicissitudes, forçaram-me iniciar a faculdade com uma idade em que muitos a completam. Tinha 23 anos e meio, completaria 24 em dezembro.
Durante o segundo grau, terminado quase quatro anos antes, fui ativista estudantil febril e entrei na faculdade com muito do gás político adquirido quando secundarista.
O início da faculdade coincidira com a eleição para governador do estado. A disputa tinha dois fortes concorrentes: Moreira Franco, pelo PMDB, e Darcy Ribeiro, pelo PDT. Correndo por fora, com chances quase nulas, estava o meu candidato, Fernando Gabeira, pelo PT.

domingo, 25 de outubro de 2015

Estados Unidos da América: por trás dos golpes, as garras da águia



John Adams foi o primeiro vice-presidente dos Estados Unidos, tendo George Washington como presidente, e seu segundo presidente, governando no período de 1797 a 1801. Iluminista e republicano, está inserido num contexto histórico que representa o início do fim de uma longa tradição, cujo berço é Grécia clássica e seu filho dileto é o senado romano, na qual o pensamento filosófico e a arte da oratória ainda eram fortes na política. Tempos nos quais não havia esperança para um candidato a político alienado da razão, das verdades e das condições históricas de sua própria época, como hoje parece ser apanágio necessário de parcela considerável dos políticos brasileiros.
Adams disse uma obviedade que, proferida pela boca de um pensador que experimentou o poder, ganha densidade: “Existem duas maneiras de conquistar e escravizar uma nação. Uma é pela espada, a outra

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Escândalo do Divinão: Gilmar Mendes acusa Lula de pedir interferência de Deus no julgamento de Dilma pelo TSE



A revista Veja dessa semana traz novo escândalo envolvendo o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, e o ex-presidente da república Luiz Inácio Lula da Silva.
Através de entrevista concedida com exclusividade absoluta para a revista Veja, o ministro Gilmar Mendes formula novas acusações contra o ex-presidente da república Luiz Inácio Lula da Silva, de interferência indevida no julgamento da impugnação da eleição da presidente Dilma Roussef, pelo TSE.
Acusado no passado, pelo próprio ministro Gilmar Mendes, de solicitar o adiamento do julgamento do mensalão para após as eleições, sob a promessa de ajudar o ministro a livrar-se da acusação de ter viajado à Europa por conta do bicheiro Carlinhos Cachoeira, Lula agora é acusado de continuar a envidar esforços para manipular o calendário do julgamento da campanha de Dilma pelo TSE, utilizando, para tanto, não somente todas as suas forças políticas, mas também poderes além de qualquer compreensão humana.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Coisas, marcas e pessoas



Morre a atriz Yoná Magalhães, aos oitenta anos.
Não posso me afirmar um grande fã de sua carreira, que na verdade conheço pouco, mais dos tempos de criança, quando ainda assitia novelas em função do apreço dos meus pais por esse tipo de entretenimento. Naquele tempo as casas em geral somente tinham uma televisão, o que já era um luxo para poucos. Então, não havia escolha, quando o pai chegava a gente assistia o que ele queria. 
Contudo, o sentimento de perda é real, pois o nome da Yoná é um dos muitos que

domingo, 18 de outubro de 2015

Eleição de 2018: atenção ao legislativo



O comentarista Weden, em texto de sua autoria publicado no blog do Luis Nassif, ancorado no portal de notícias GGN, cujo link forneço ao final, fala sobre o imenso capital político de Lula, sustentando que talvez não seja na presidência que ele poderá dar sua melhor contribuição em favor do país. Na opinião de Weden, numa conjuntura política em que se tem um legislativo reacionário e a necessidade de um presidencialismo de coalisão para obtenção governabilidade, o presidente eleito, qualquer que seja, se torna apenas um sócio do poder e, às vezes, nem isso.
Weden nos chama a atenção para um fato: “Hoje as esquerdas estão reduzidas a 1/6 do Congresso. Com isso, direitos de cidadania e trabalhistas estão correndo sérios riscos. E outros tantos que precisam ser conquistados estão infelizmente adiados.”
Constatada essa realidade política, Weden sugere que “Lula poderia ser um inestimável puxador de votos para as esquerdas na próxima legislatura.”
Absolutamente perfeita a lógica do Weden.
De fato, talvez a melhor estratégia política a ser adotada pelo PT para as eleições de 2018 fosse colocar a eleição presidencial em segundo plano, um objetivo secundário.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Delfim Netto e o capitalismo inovador


Bastante interessante esse pequeno artigo de Delfim Netto, publicado no Portal GGN e cujo link disponibilizo aqui, sobre as condições sociológicas históricas que dão azo à formação do capitalismo. Destaco a parte em que ele pontifica que o capitalismo é apenas um momento no processo histórico, não podendo ser classificado, nem como natural, nem como eterno. Que ótimo que isso seja dito por um intelectual conservador, não é mesmo? Delfim corrobora o que costumo dizer: a honestidade intelectual dá sabor e veracidade à palavra, escrita ou falada, que, assim, clama por ser consumida. Nada mais detestável do que um texto sofista e tendencioso.
Tendo a concordar com Delfim com relação ao que Marx pensaria sobre o capitalismo atual, que provavelmente o entusiasmaria, embora mantendo a crítica da imoralidade e da injustiça que o permeia.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

A faxineira e o delegado



Imagine a seguinte situação absolutamente hipotética: você chega na sua mesa de trabalho e descobre que um colega comeu um bombom de sua caixa. O que você faria?
Se você for uma pessoa equilibrada e altruísta, você terá colocado a caixa de bombons à vista justamente porque queria que os colegas os consumissem.
Se você for só equilibrado, mas não altruísta, sorrirá pela sapequice do colega, mas não ficará demasiadamente aborrecido.
Se for um pouco exigente demais, irá no máximo considerar que houve um certo abuso e ficar chateado.
Se for um ranzinza cricri, irá se queixar diretamente com o colega.
Se além de ranzinza, for egoísta, irá se queixar ao chefe e pedir que ele admoeste o colega de trabalho.
Se for um celerado, um ególatra ou um completo retardado mental, você irá a uma delegacia policial registrar queixa pelo crime de furto.

sábado, 10 de outubro de 2015

A república dos parvos ou Por que a crise política não acaba?


Por que a crise política se eterniza, por que não acaba?
É a pergunta que me tenho feito insistentemente ante a percepção de que o Brasil, ao contrário do que tentam fazer crer, não se encontra em situação econômica pior do que a que já esteve na maior parte de sua história. Só acredita nisso quem tem menos de cinquenta anos e não vivenciou a crise que parecia infindável e que durou do início da década de 1960 até o final da década de 1990, portanto por cerca de quarenta anos. Até quando contava cerca de quarenta anos de idade, cheguei a acreditar que jamais viveria num país com uma certa estabilidade financeira e com uma boa oferta de trabalho e renda para sua população. Afinal, sou do tempo em que, praticamente em todas as ruas do Centro do Rio de Janeiro, da porta de cada prédio jorrava, como uma enorme língua, imensa fila de pessoas candidatando-se a uma mísera vaga de emprego. Fui parte dessas línguas em várias oportunidades e arrepiava-me a ideia de ter que retornar à saliva de uma delas.
É inegável a enorme contribuição de Itamar Franco, que tomou a si a responsabilidade de introduzir o Plano Real, e de Fernando Henrique Cardoso, que continuou a administração do plano após a saída de Itamar.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

O pitbull desempregado




E eis que Rodrigo Constantino, blogueiro ancorado na revista Veja, foi demitido.
Em seu último "artigo", diz que o PT o torna uma pessoa pior. Pior do que quem, cara-pálida? Duvido muito.
Os comentaristas e admiradores do seu blog (reproduzindo a fala do MM, eles existem) lamentam e não duvidam de que, logo em breve, ele estará contratado por alguma empresa interessada em seus "milhões de leitores"? Como assim, "milhões", onde? Nos EUA? Na Inglaterra? No Canadá? Claro que, no Brasil, nem pensar.

A sopa está quase fervendo

O clima político está tenso, muito tenso, mas não se preocupem... pode piorar e provavelmente irá piorar.
O diálogo já está praticamente impossível, o afastamento acaba se impondo. Estamos nos atomizando, as festas estão mais vazias.
O problema é que, em se tratando de várias vozes distintas falando ao mesmo tempo e sem que um ouça o outro, de um povo restrito a um único território que não querem dividir com a divergência, o resultado inevitável, como pontifica Leandro Karnal, é a guerra civil, o último modo de resolução interna dos conflitos políticos da sociedade.
Como se inicia uma guerra civil?
Guerra civil é o câncer de uma sociedade, seu início é imperceptível. Se desenvolve enquanto o mundo continua girando, o sol e a lua continuam os mesmos astros iluminando nossas cabeças, os mercados abrem regularmente e ainda nos proporcionam comprar o nosso pão de cada dia.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

O deputado e o motorista


Lamentável a violência ocorrida no episódio no qual o deputado Takayama (PSC-PR), de 67 anos, acabou levando um soco do motorista do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) nas vias de acesso ao Congresso Nacional.
Não é possível defender ou justificar qualquer violência, muito menos quando verificada a desproporcionalidade física entre os envolvidos. O deputado, afinal, é um idoso.
Porém, as imagens captadas pelo sistema de segurança da Polícia Legislativa do Congresso são inquestionáveis. Os vídeos, que foram divulgados, claramente comprovam que: (a) não houve manobra de risco acentuado por parte do motorista quando dirigindo; (b) o deputado inicia a agressão ao desferir um tapa ou um soco no motorista, que somente então revida.
Além disso, aparentemente as lesões derivaram mais da forma com que se deu a queda do deputado, do que propriamente do soco que recebeu.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

O limite do possível político


Exagera quem considera que está ocorrendo uma grande derrota das forças progressistas brasileiras por culpa das dificuldades do PT em se manter coerente ao seu projeto utópico original.
As conquistas do PT no governo federal não se resumem ao aumento do consumo, proporcionado pelo inegável incremento da renda. Longe disso...
Primeiro, é preciso deixar claro que esse aumento de consumo não pode ser confundido com o consumismo da classe média e da classe rica, superficial e fútil. Trata-se de consumo de bens de primeira necessidade, como alimentos. Assim, trata-se, no fundo, de melhoria na condição alimentar da população pobre, notadamente entre as crianças, o que implica melhora na saúde geral dessa população.

sábado, 26 de setembro de 2015

Os cavaleiros do apocalipchment

Após o fim do ciclo militar, com Sarney assumindo a Presidência às pressas, em substituição ao falecido Tancredo Neves, o país ingressou num longo e tedioso período de calmaria política, somente interrompido em situações episódicas, como a dos caras-pintadas que exigiam a saída de Fernando Collor da presidência.
Não se discutia política no Brasil. O churrasco era regado a cerveja e conversas sobre futebol, carnaval e mulheres. As queixas eram genéricas, as de sempre: péssima educação pública, péssima saúde pública, péssima segurança pública e por aí vai. São queixas com as quais o brasileiro se encontra acostumado, afinal, o serviço público é ruim no Brasil desde Cabral. Ninguém, porém, brigava com o amigo por conta do presidente que ele escolheu. No máximo, uma piada sobre o mau-gosto e nada mais.
E outra coisa: como pouco ou nada se discutia de política numa era de pouco fluxo de troca de informações interpessoais, quase nada sabíamos de fato sobre o que as pessoas à nossa volta, amigos e familiares, realmente pensavam sobre política.