sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Faça amor, não faça a guerra!

Afastadas as necessidades básicas de absorção de nutrientes e busca por abrigo, o primeiro, grande e principal problema existencial da humanidade, como desejo inconfesso e objeto de autocontenção repressora e produtora de neuroses, é o sexo.
O segundo, que decorre em grande parte do primeiro, é o poder. Quem tem poder, amplia sua possibilidade de se relacionar sexualmente.
O terceiro, que é produto dos dois primeiros, é o dinheiro. Sigam o dinheiro! É ele que compra o poder que por sua vez conduz ao sexo.
Esses três desejos, juntos, certamente respondem pela imensa maioria dos crimes cometidos e, possivelmente, arrisca-se a dizer, indiretamente por todos.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Deus e o ateu

Morto e sepultado, ao chegando ao céu o ateu ficou absolutamente chocado ao constatar que Deus, de fato, existia. Décadas de descrença e ali estava ele, no céu, próximo ao divino. Ainda mais desorientado ficou por não entender por que, mesmo sendo ateu, tinha ido parar no céu. Será que ainda seria punido pela falta de fé? Seria lançado às chamas eternas do inferno?
Resolveu indagar isso diretamente a Deus, pois soube que qualquer alma poderia a Ele se dirigir.
Deus riu-se da pergunta e disse que não, ele não seria jogado no inferno. Ficaria no céu mesmo, que era o lugar de todas as almas.

Estrada da vida


Somos passageiros em nossa própria história e cada estrada de vida escolhida e percorrida não é por si boa, nem má.
A mesma estrada pode chegar a muitos destinos.
Aquele que se torna bom, apesar da longa e penosa estrada esburacada, louva as dificuldades que o conduziram a ser quem se tornou.
E quem se perdeu no caminho, embora viajando por bela rodovia pavimentada, culmina por imprecar contra os prazeres desfrutados, pois desviaram sua atenção e conspurcaram a sua alma.
E as histórias poderiam estar invertidas e seria o mesmo o resultado, pois o que nos torna a pessoa que somos não é o caminho percorrido, mas a maneira como enfrentamos os percalços da viagem.

O sussurro do desespero


Pode ser que a aparência de força seja apenas a visão da armadura que esconde toda fragilidade.
Quem sabe a coragem e o destemor nada mais simbolizem do que a ponta de um gigantesco iceberg de medo, invisível sob a imensidão do mar da vida?
Se alguém clama por ti, na fria madrugada, por que presumir o grito da farsa ao invés do sussurro do desespero?

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Uma lição de altruísmo social do Papa Francisco


Milhões de pessoas, fieis ou não da Igreja Católica, aclamam, com justiça, a sabedoria e a humildade do Papa Francisco I.
Indiretamente, a fala de Sua Santidade transmite uma lição aos críticos do bolsa-família, contumazes na construção de discursos racionais, porém sofistas, que fundamentam uma posição negativa em relação à continuidade de um programa que transfere um quase inexpressivo auxílio financeiro em benefício da parcela mais miserável da população brasileira.
Assim nos fala o Papa:

terça-feira, 23 de julho de 2013

Comparativo Lula x FHC


Nos últimos dias vem sendo compartilhado nas redes sociais um artigo que produz uma comparação entre os governos de FHC e de Lula, com muita vantagem para FHC, segundo o autor do artigo. O link do artigo é fornecido ao final do texto.
O autor do artigo é clara e confessadamente um admirador de FHC, o que ele honestamente afirma. Nisso não reside problema algum, dado que os admiradores de Lula também podem produzir comparativos.
Todavia, o autor do artigo peca por utilizar um sofisma evidente a fim de inutilizar os números nos quais ele próprio reconhece a superioridade da performance governamental de Lula. Nesses específicos pontos, ele posiciona FHC como melhor presidente que Lula, com fundamento na opinião absolutamente subjetiva, e não isenta pois eivada da parcialidade típica de um admirador confesso, de que a superioridade dos números de Lula decorreu da política macro-econômica implementada por FHC, herdada pelo petista, e à conjuntura econômica mundial ruim por este último enfrentada, o que não teria ocorrido na gestão do PT.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Presidente ou presidenta? Quanta bobagem.


A infantil questiúncula sobre a adoção, pela Dilma, do designativo "presidenta" em lugar de "presidente" extrapola o âmbito da gramática oficial. A gramática oficial do Brasil aceita o uso do termo.
Ainda que assim não fosse, palavras se modificam ou são inventadas no curso da história. Acentuações foram extirpadas da língua portuguesa há pouco tempo. A língua é dinâmica, aceita inovações introduzidas pelo povo, que é o único e verdadeiro dono da língua.
A língua falada é sempre mais forte e acaba se impondo, determinando a modificação do que é considerada a língua culta. A norma culta invariavelmente termina por dobrar os joelhos ao uso corrente. Não fosse assim e ainda se falaria latim ou estaria em uso palavras como "vossa mercê", transformada em "vosmecê" e, finalmente, em "você"

segunda-feira, 15 de julho de 2013

A cegueira voluntária


O fenômeno da "cegueira voluntária" ocorre quando a pessoa, de forma consciente ou em um nível subconsciente, mente para si mesmo e para os outros sobre a realidade por ela própria testemunhada. Trata-se da vontade de não ver o que está na sua frente.
Esse fenômeno aparentemente é que está acometendo certas pessoas que insistem em não enxergar a evidente melhoria da renda média dos brasileiros. É tanta a vontade de se opor ao governo do PT que preferem ser cegas, recusando-se a admitir que o país, hoje, disponibiliza aos cidadãos mais emprego e com melhor renda.
Um jornal noticia que o número de domicílios com carros no Brasil praticamente dobrou nos últimos vinte anos, saltando de 23% para 40% do total de moradias. Para cada dez moradias, quatro possuem ao menos um carro na garagem. Sinal claro de melhoria na renda. Para efeito de comparação, nos Estados Unidos noventa por cento das residências possuem pelo menos um veículo.

Sobre a reforma política


Até mesmo a mais ingênua das almas caridosas conseguiria enxergar que o destino de uma reforma política a cargo dos atuais parlamentares seria a lata de lixo, como aliás tem ocorrido ao longo das quatro últimas décadas. No máximo, alguma perfumaria e nada de efetivo.
Mesmo a mais idiota das pessoas saberia que o Chefe do Poder Executivo não manda nos parlamentares e não consegue direcionar o Poder Legislativo, um poder completamente autônomo e independente, tanto que presidentes, governadores e prefeitos necessitam costurar alianças para alcançar a tal da "governabilidade", alianças espúrias tecidas com os fios do fisiologismo ou do patrimonialismo - cargos para alguns, um dinheirinho para outros.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Maravilhas perdidas



Quando penso em todos os sons, cores e texturas que jamais sentirei, em todas as grandes e pequenas vidas cuja presença nunca testemunharei e em quantas são as maravilhas que passam e passarão despercebidas aos meus olhos todos os dias, percebo que tantas são as perdidas que não posso me permitir renunciar ás que estão ao meu alcance.

Marcio Valley avisa


1 - As mensagens que eventualmente compartilho são investigadas antes para obtenção de um mínimo de credibilidade;
2 - A imensa maioria dos textos que publico são de minha autoria e constam do meu blog;
3 - O que não é de minha autoria possui indicação de autoria ou o link de acesso;
4 - Não sou político profissional e nem tenho interesse algum nas manifestações que faço, a não ser o de suscitar o debate;
5 - Não tenho problema algum em receber críticas, mesmo as mais duras;

A reforma política

Sem a produção de efeito global, não há solução eficiente e duradoura para as grandes questões da civilização humana. Uma redução brutal das desigualdades, se um dia ocorrer, somente será possível a partir de um pacto mundial entre as nações, envolvendo a totalidade dos seres humanos. O instrumento natural para alcançar esse pacto seria a política, espaço de apresentação de divergências e busca de soluções e acordos. O problema é que o poder do dinheiro envolveu-se de tal modo na política que ela deixou de ser uma ferramenta de pacificação social e passou a atender somente aos interesses de uma determina fatia da população, os grandes empresários. A política elitizou-se e já faz tempo.

Bolsa-família: a experiência internacional


Inicialmente, reproduzo os seguintes dados obtidos pela internet:
1) Wikipédia:
Exemplo seguido por Nova Iorque
Nova Iorque implantou recentemente seu bolsa-família inspirado no programa de transferência de renda Oportunidades, do México, e no Bolsa-Família brasileiro. Chamado de Opportunity NYC, o programa piloto atende cerca de cinco mil famílias de regiões de baixa renda de Nova York, como o Harlem e o Bronx. Da mesma maneira que o Bolsa-Família brasileiro, o programa nova-iorquino dá dinheiro para as famílias pobres que mantêm seus filhos na escola ou fazem exames de saúde.

Fatos sobre o bolsa-família



O bolsa-família beneficia 13,8 milhões de famílias e conta com um orçamento de R$ 21 bilhões, o que corresponde a cerca de 0,49% do PIB e a 0,92% do orçamento federal total.
56% do dinheiro do bolsa-família retorna aos cofres públicos na forma de impostos sobre o consumo, o que faz o gasto real do governo ser reduzido a cerca de 9,24 bilhões de reais ou 0,4% do orçamento federal.

sábado, 29 de junho de 2013

Diálogo e respeito












Respeito é apreço e atenção sempre, acatamento e submissão às vezes.
Diálogo é conversa, debate e troca de ideias.
Monólogo é a pessoa falando sozinha.
No diálogo, deve-se dirigir apreço e atenção ao outro, mas não cabe exigir acatamento e submissão.
Por isso, antes da palavra posta, escrita ou falada, se o que se quer é monólogo ou mera concordância, cabe avisar desse intuito o possível interlocutor.

Falsa realidade


A realidade não é o que você pensa que é.
Ela é o que querem que você pense que é.
Suas opções políticas dificilmente são baseadas na realidade, mas falsa percepção dela.
A realidade é aquilo que a mídia diz que é.
Avalie corretamente e desconfie de toda informação recebida através de jornais, impressos e televisivos, e revistas.
Existem interesses corporativos por trás dos órgãos da imprensa.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Cura Gay é projeto do PSDB


Deve ser esclarecido que, embora o projeto de lei visando regulamentar a assim chamada “cura gay” tenha sido encampado pelo deputado conservador evangélico Marco Feliciano, do PSC, sendo por isso sempre relacionado ao seu nome, a real autoria é do deputado João Campos, do PSDB-GO.
O famigerado projeto pretende a extinção de dois artigos de resolução do Conselho Federal de Psicologia, do ano de 1999, que impedem a atuação dos profissionais da psicologia no tratamento de homossexuais. O fundamento do impedimento é o consenso acerca do entendimento de que a homossexualidade não pode ser definido como um problema de ordem psicológica. Por conta disso, determinou-se a proibição de que os pacientes recebam coercitivamente orientações não solicitadas quanto à sua orientação sexual.
Além disso, os dispositivos regulamentares vedam que psicólogos se manifestem publicamente de forma que possa ser entendida como reforço aos preconceitos relativos aos homossexuais.
O projeto de lei encampado pelo deputado Feliciano busca modificar isso, permitindo uma suposta cura dos gays.
Embora o projeto seja do PSDB, e possua inclinação nitidamente preconceituosa, o partido não é crucificado por conta disso, tampouco os deputados envolvidos em sua aprovação.
Já se fosse de iniciativa do PT...

Bolsa Família enfraquece o coronelismo

Encontra-se em andamento uma campanha pelo fim do voto das pessoas que recebem o bolsa-família. Para quem pensava já ter visto de tudo em termos de radicalização política, ausência de sensibilidade social e preconceito social, ei aí um exemplo da criatividade humana em matéria de reduzir a importância do outro.
Interessante observar que, nas redes sociais, as pessoas atiram-se ao hábito, inclusive enfadonho para os receptores, de enviar mensagens de amor, de solidariedade, de fraternidade, de paz e de sensibilidade. São incontáveis, praticamente infinitas, mensagens de fundo religioso, cheias de compaixão e ternura. Uma beleza de mundo esse, o mundo das mensagens das redes sociais.
Um extraterrestre que pretendesse conhecer a natureza da humanidade somente através da interceptação das mensagens e informações que navegam através das redes sociais, sem possibilidade de contato imediato com a realidade, lendo essas mensagens chegaria à conclusão inequívoca de que os humanos são seres praticamente perfeitos, uma espécie pacífica ancorada solidamente em princípios de serenidade e altruísmo. Certamente ficaria maravilhado com o mundo humano, uma gigantesca irmandade. Dificilmente o próprio mundo do extraterrestre seria igualável ao dos humanos, muito superior em grandiosidade de espírito.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

A rejeição da PEC 37


No texto "O falso dilema sobre a PEC 37" busquei chamar a atenção sobre o perigo de ser rejeitada a PEC 37, cujo objetivo era impor limites à atuação dos promotores e procuradores. Infelizmente, impôs-se a visão atécnica e algo linchatória advinda do clamor das ruas e a PEC foi rechaçada.
As pessoas que apoiaram a rejeição da PEC foram cegadas pelo discurso moralista do combate à corrupção. Não levaram em consideração a possibilidade de que o cidadão comum, inclusive os que foram favoráveis à rejeição, amanhã poderá ser vítima de abusos praticados pelo Ministério Público.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

A corrupção nos governos


É socialmente salutar discutir-se o problema da corrupção. Contudo, o debate público deve ser pautado pela racionalidade e com a maior objetividade possível. Caso enfrentado o tema com o alto teor de paixão pública que atualmente se verifica, a saúde da discussão se esvai, iniciando-se um processo de rupturas no qual ninguém ouve mais ninguém.
O primeiro ponto a destacar é que corrupção é um elemento até aqui inalienável da sociedade humana e cuja distribuição é bastante igualitária: está presente em todos os países e em todos os governos do mundo, mesmo os mais avançados. Alguns mais, outros menos. Em alguns, como nos EUA, a perseguição pelo controle da corrupção conduziu à sua institucionalização parcial, passando a parte legalizada a ser eufemisticamente denominada de "lobby". A instituição do lobby, porém, não significou que o "investimento" das pessoas e empresas representadas pelos lobistas tenha se limitado à distribuição de garrafas de vinho e fins de semana grátis em paraísos tropicais para os políticos e demais pessoas públicas que possuam poder sobre os projetos que interessam. A prática do pagamento de propinas milionárias persistiu de forma ostensiva ou velada.