quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Paracetamol em excesso pode levar à morte

Notícia bombástica nos jornais de hoje: paracetamol em excesso pode levar à morte.
Hum, grande descoberta. Qualquer excesso pode ser fatal. Até ingestão excessiva de água pode matar.
Aliás, pesquisas recentíssimas comprovaram: há quase 100% de chance de que a pessoa acometida de vida venha a morrer no prazo de poucos segundos até 140 anos.
Portanto, viver, mesmo moderadamente, conduz à morte.
E mais, excesso de morte conduz à... não sei.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A limitação do ser humano

Não se iluda. Você é limitado, assim como são todos os seres humanos.
Nenhuma experiência sua será plena. Toda sensação será parcial. Nada lhe chegará por inteiro, tudo sempre por pedaços.
Por mais que viaje, conhecerá poucos lugares, porque o mundo é muito, mas muito maior que você. Ninguém conhece a França porque conheceu Paris, assim como não se conhece o Brasil pelo fato de que foi a Brasília.
Por mais pessoas que conheça, ainda serão poucas e jamais lhe será possível conhecer todas, pois mesmo conhecendo uma por segundo, séculos seriam necessários para ser apresentado a cada uma das bilhões que agora existem. E mesmo que vivesse para isso, de nada adiantaria pois a maioria já estaria morta então.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

O fim das eleições


Muitas são as definições existentes sobre o que é a filosofia e o que se busca através dela. Aristóteles pontificava que a filosofia surgia a partir do espanto e da admiração com as coisas do mundo, assim tornando necessária a produção de um discurso capaz de explicar as causas e os efeitos dessas coisas que espantam e admiram.

Muito mais modernamente, e em nosso próprio quintal, o filósofo Paulo Ghiraldelli Jr., numa definição que particularmente aprecio, diz que a filosofia busca desbanalizar o banal. Segundo Ghiraldelli, enquanto o ser humano comum aceita pacificamente as coisas que rotineiramente encontra ao seu redor, como o ar, as águas, as casas, os carros, as pessoas, as árvores e etc, o filósofo olha para essas coisas e, admirado, pergunta-se como, por que, onde e quando.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Sobre o movimento “Lula vá pro SUS”

Para aqueles que estão participando desse movimento desmiolado, pretensamente em defesa de que o ex-presidente Lula seja tratado pelo SUS, lamento informar que ele está sendo tratado num hospital, o Sírio Libanês, que também atende pelo SUS. Em outras palavras, ele estaria sendo tratado nesse mesmo hospital se tivesse optado pelo SUS.
As exigências indignadas de tratamento pelo SUS, ou são ingenuidade e desinformação, ou má-fé. Lula poderia perfeitamente estar sendo atendido pelo SUS no mesmo hospital, com a mesma qualidade de tratamento (afinal, trata-se de um ex-presidente). Não sendo pelo SUS, como era direito seu, Lula poupou dinheiro público.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Dia de eleição


Dia de eleição é um dia muito especial para o país e para os Estados. É o dia em que escolhemos as pessoas que irão nos governar pelos próximos quatro anos. É o dia em que elegemos nossos pequenos reis temporários, imperadores de ocasião.
Nenhum deles fará nenhum milagre e nem isso se deve esperar deles. São humanos, como qualquer um de nós, que carregarão consigo, para o governo, suas qualidades e também seus defeitos. Tuido o que têm de melhor e também tudo o que têm de pior.

Frutos do mar com os dias contados


Sem querer parecer ou me tornar um desses eco-chatos radicais, o fato é que a cada dia que passa acumulam-se os estudos científicos alertando sobre os danos causados aos diversos ecossistemas em razão da ocupação humana desordenada.
Já há, na prática, o que se poderia denominar uma unanimidade da parcela mais responsável da ciência sobre a efetividade do aquecimento global decorrente das emissões de gases pela atividade humana, que pode conduzir inclusive a uma nova era do gelo.

A ilusão das mudanças


Imagine-se viajando por um ano inteiro, sem possibilidade de receber qualquer notícia sobre os acontecimentos do mundo e do Brasil. O que você acha que aconteceria de importante durante sua ausência? Respondo: nada!
O Brasil continuaria no mesmo lugar, com a mesma política e os mesmos problemas de sempre.
Curiosa essa sensação que temos de que alguma coisa possa mudar significativamente com o tempo. Pura ilusão.

Daisy Marini, seu príncipes e suas ausências


Tempos atrás eu possuía um outro blog, chamado Marcio Comenta, que abandonei completamente. Como fiquei sabendo que ele será descontinuado a partir de 15 de novembro de 2011, quando todos os arquivos nele contidos serão eliminados, tentei salvar o máximo dos textos que lá escrevi. Estupidamente, não há backup. Meu arquivo era o próprio blog.
Postarei alguns deles aqui, como, aliás, já fiz com uns poucos, assim que lancei esse novo blog.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Alemanha ontem, Israel hoje



Todos temos conhecimento dos acontecimentos na Palestina.
Incrivelmente, existem o que insistem em negar veemente a verdade. Fazer o quê? São pessoas que ficam cegadas por conta de suas convicções, ainda que estas colidam com o sentimento de humanidade que certamente possuem.
O governo israelense pode matar milhares de palestinos, pode secar suas fontes de água, pode desligar a energia elétrica de um povo inteiro, pode construir muralhas, pode não respeitar o território da nação vizinha e construir condomínios em terras palestinas, pode bombardear casas e estabelecimentos civis, pode atacar um barco humanitário, pode contra-atacar de forma absolutamente desproporcional, matando inocentes, pode não reconhecer um país já aprovado pela ONU (somente ainda não reconhecido oficialmente), pode não obedecer a nenhuma resolução da ONU (nenhuma mesmo), pode possuir a bomba atômica, pode matar inimigos em território alheio, enfim, pode praticar qualquer barbaridade, que sempre encontrarão desculpas:

terça-feira, 11 de outubro de 2011

A super-ética e a intolerância

Num texto publicado em grande blog da internet, uma pessoa, em tom indignado, narra a história de uma mulher que, aguardando atendimento num consultório médico, folheava uma revista quando, ao ver um vestido muito bonito, resolveu rasgar a página da revista a fim de guardar o modelo do vestido. Os comentários arrasavam a moça.
Parece que estamos muito exigentes com o comportamento alheio.
A pessoa rasga uma página de uma revista bolorenta de consultório e isso é o mote para falarmos sobre ética, moral, educação de crianças, as mazelas dos políticos, sobre e sobre e sobre... Caramba.

Liberdade e sonho

O que me perturba não é renunciar aos desejos impossíveis. A validade do desejo, que justifica lutar por alcançá-lo, está ancorada na obtenção do prazer sincero, que conduz à alegria e à felicidade. Desejos impossíveis, contudo, conduzem à inexorável frustração, que é o contrário do prazer.
Tampouco lamento abrir mão daquilo que possa ferir o alheio. O utilitarismo não pode justificar qualquer violência ao próximo.
O que de fato me incomoda é abandonar um desejo por qualquer coisa além de mim e aquém do outro. Pelo que pensa o rei ou pelo que sente o sacerdote, pela fala da fofoqueira ou pelo cacarejar dos moralistas.
Liberdade é mais do que uma calça jeans azul e desbotada. Liberdade é poder vestir essa calça e com ela perseguir os desejos mais loucos, ir para qualquer direção, qualquer orientação.

Porque liberdade é mais do que apenas sonhar, é também sentir a vibração de ser possível realizar.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Luz e verdade


Nem sempre a luz nos traz o bem.
Ao dirigir o olhar diretamente para uma forte fonte de luz, nada se vê, senão clarão. O castigo para quem lança os olhos em direção ao Sol é a cegueira.
A função da luz não é ser vista, mas permitir a visão.
Assim também é com a verdade. Verdades absolutas atordoam e enganam. Transformam borrões imaginários em realidade. Ditas, de forma nua, crua, em avalanche, metamorfoseiam o que de fato é naquilo que imaginamos ser. Tornam a fantasia do ideal em concretude material ilusória.
A verdade não deve ser desvelada a qualquer custo. Assim como a luz, deve servir como instrumento, não como alvo. Apenas como meio de percepção das coisas e das pessoas como elas se apresentam no real, na experiência sensível. O que as pessoas efetivamente são é objeto fugidio e passível de delírio, ilusão e engano.
Todos possuem mistérios que não devem ser revelados.

Todos carregam, dentro de si, verdades que magoam.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Amor extremo, extremas decisões
















O homem puxou a cadeira e seus olhos cruzaram-se enquanto a mulher sentava-se. O incômodo encontro de olhares o fez buscar, lá dentro de si, um motivo para exibir um sorriso. A mulher percebeu o esforço, recompensando-o com um sorriso de retribuição.

O homem afastou-se um pouco, pegou um prato no aparador e, dirigindo-se à sopeira que repousava, fumegante, no réchaud, retirou-lhe, com muito cuidado, sua tampa de vidro. Tão logo viu-se livre da tampa, o aroma, lépido, fugiu de sua prisão de aço inoxidável, espalhando-se pelo ambiente até alcançar as narinas da mulher.

De olhos fechados, a mulher aspirou profundamente o agradável aroma e permaneceu sem expirar por longo tempo, talvez temendo perder qualquer pedaço daquela sensação. O homem a observava com ternura. O amor que sentia pulsava, latejava, doía. Pela mulher, pelo momento.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Respeito à opinião alheia é sempre devido?

Muitas pessoas creem, com verdadeira fé, que Deus criou o ser humano e o colocou nesse planeta com o objetivo de crescer e se multiplicar indefinidamente. Esse pensamento religioso vem sendo propagada por séculos e séculos.
Aparentemente, estamos cumprindo bem o mandamento divino: já somos mais de seis bilhões no mundo.

Hobsbawm e a questão do crescimento econômico

Assim pontificou o saudoso historiador Eric John Ernest Hobsbawm: "Hoje o problema real que se coloca, o maior deles, é que o poder do progresso material e tecnocientífico, baseado em crescente e acelerado crescimento econômico, num sistema capitalista sem controle, gera uma crise global de meio ambiente que coloca a humanidade em risco."
Hobsbawn vai direto na ferida.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Os parasitas do Capital


Os ricos investidores do mercado especulativo são eufemisticamente denominados "rentistas".
Deveriam, na verdade, ser chamados pelo que realmente são: parasitas do Capital.
Define-se parasita como o ser que, agregando-se maliciosamente a outro ser, dele retira toda a energia necessária à sua própria sobrevivência, em prejuízo daquele que é parasitado.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

A Igreja Católica é monoteísta?



Peço antecipadamente perdão aos leitores religiosos, porém não creio que algum assunto, por mais delicado que seja, deva estar imune à discussão e ser dogmatizado como inexorável tabu. Não existem assuntos tabu. Qualquer coisa pode ser objeto de análise racional e passível de ser discutido por pessoas também racionais.
O introito é necessário pois tratarei aqui de uma questão religiosa, sempre delicada, e que afeta especificamente a definição da igreja católica como monoteísta.

Liberdade responsável


É possível alcançar a liberdade plena, que dispensa as correntes. Esse objetivo, porém, é muito difícil.
Liberdade plena envolve desapego total, seja sentimental, seja material.
Por isso, liberdade plena jamais será sinônimo de felicidade. Liberdade plena envolve responsabilidade absoluta.
Melhor pretender a liberdade responsável. A que permite prosseguir no caminho até o ponto no qual a possibilidade de ferir o outro é mínima.

Preso a algumas inevitáveis, e talvez imprescindíveis, correntes, mas sabendo como se liberar de parte delas, quando possível.

Cultura coletiva e direito autoral


Ao nascer, o ser humano encontra o mundo pronto e acabado.
À sua espera, cultura e ideologia estão absolutamente formadas, estruturadas, consolidadas. Todas as histórias já foram contadas, todas as canções já foram cantadas, todas as imagens já foram pintadas.
Inexistem páginas ou telas em branco.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Extremos

A coisa certa a fazer na vida em geral não é encontrada nos extremos de qualquer atitude.
Tanto é equivocada a vida vivida em busca do prazer a qualquer custo, como aquela que retrai qualquer desejo ante o intenso medo da possível dor do desprazer.

Administrar frustrações é o pequeno preço a pagar pelas escolhas feitas no decorrer da vida. São as escolhas que nos dão sentido, que nos tornam quem somos.