domingo, 10 de fevereiro de 2013

147 empresas controlam 40% da economia mundial



Texto extraído do blog "Resistências e Resiliências"
Quando a ciência se dá conta dos 1% que dirigem a economia.
Fonte: Les Dernieres Nouvelles du Monde (via Imediata).
Trad: Mario S. Mieli
Três pesquisadores suíços destrincharam recentemente a rede mundial de multinacionais, servindo-se de uma base de dados da OCDE (Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômicos) agrupando mais de 30 milhões de atores do mercado econômico. Os cientistas chegaram a uma síntese, agrupando-os sob a forma de uma rede de 43.060 multinacionais. Suas relações de força mútuas foram também reconstituídas conforme a perspectiva da propriedade: uma empresa que possui mais de 50% de ações de uma outra foi considerada como detentora do controle acionário dessa última.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Falta de fé


Grande parte dos religiosos, principalmente os que comandam as igrejas, não creem em Deus.
Se possuíssem fé autêntica, não contrariariam a vontade divina do livre-arbítrio através da imposição de comportamentos e valores, como historicamente sempre fizeram.
Se Deus nos deu a liberdade, não cabe a qualquer ser humano aprisioná-la em dogmas.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Um sistema econômico natural


Silvio Gesell (1862-1930) foi um comerciante alemão, teórico de economia, ativista social e anarquista, que propôs uma forma alternativa, utópica, de viver socialmente, que ele denominou de "economia natural" e que era diferente do comunismo idealizado por Marx, seu contemporâneo.
Segundo ele, o planeta Terra pertence a todas as pessoas, que são cidadãs do mundo e não apenas de seus países. Defendia que não havia distinção entre as pessoas por motivo de raça, gênero, classe, riqueza, religião e idade. Advogava o fim das fronteiras nacionais.
Gesell entendia que a economia encontrava fundamento no egoísmo humano, no fato das pessoas priorizarem seus auto-interesses, o que ele percebia como natural e salutar, pois é essa espécie de sentimento que põe as pessoas em ação, nelas incutindo a vontade de produzir para satisfação de seus desejos e necessidades. Sendo assim, todo e qualquer sistema econômico, para ser bem sucedido, deve levar em conta essa característica humana. Esse é o motivo de ter denominado o sistema por ele proposto de "economia natural" ou "economia de moeda livre".

domingo, 6 de janeiro de 2013

Direita e esquerda acabaram mesmo?


É cada vez mais frequente ouvir o mantra de que o socialismo está sepultado, que não há mais diferença entre direita e esquerda e que luta de classes cheira a naftalina. A repetição desse discurso, cultivado até o nível da exaustão pela indústria cultural, vem sempre apoiada em depoimentos de especialistas sérios e supostamente respeitados. Por conta disso, acaba se tornando um lugar-comum na boca de muitas pessoas do povo, inclusive os que possuem bom nível intelectual.
A prevalecer a tese de fim da dialética esquerda x direita, isso implica que, ao menos na opinião de seus defensores, desapareceu o fosso abissal que existia entre alguns milhares de pessoas que possuem cerca de oitenta porcento da riqueza mundial e os demais sete bilhões de pessoas que estão de posse do que resta, ou seja, dividindo vinte porcento da riqueza, bilhões delas em condições de miséria ou extrema pobreza, sem ter o que comer.

O radicalismo político no Facebook


Esse texto reproduz os comentários acerca de algo postado no Facebook. O título do post era "A tônica do lulismo é a manipulação de números" e era ilustrado pela imagem acima, do jornal O Globo. Eis os comentários:
"Facer 1 - Realmente, O Globo, Veja, Folha de São Paulo e Estado de São Paulo são fontes de informação absolutamente isentas. Qualquer otá.. quer dizer, pessoa pode confiar inteiramente nesses veículos. Aliás, se O Globo disse deve ser verdade, pois trata-se de um jornal que sustentou o golpe militar, lançou o Collor de Mello do nada somente para combater o Lula e subsidiou a história da Escola Base de São Paulo.
Facer 1 - Detalhe que esqueci: a revista Veja foi que criou a matéria sobre a Escola Base, assim como noticiou a fantástica história do Boimate, mistura de carne de vaca com tomate criado geneticamente. Um primor de jornalismo.

O maniqueísmo da imprensa

A partir de uma análise restrita aos meus textos, é legítimo imaginar-me como um petista de "carteirinha", pronto a defender radicalmente o PT contra toda e qualquer crítica e posicionar-me a favor de todo ato ilegítimo praticado por algum representante do partido.
De fato, sou simpatizante do PT, mas não de forma acrítica. Não compactuo com atos ilícitos, com corrupção. É dever de todo cidadão repudiar desvios de conduta praticados contra a sociedade e contra o direito natural alheio.
Antes da segunda eleição de Lula, decepcionado com a falta de iniciativa do partido no sentido de promover uma reforma política profunda e com sua opção pela manutenção da velha política de acordos pela governabilidade com partidos nefastos, desisti de votar no PT e passei a votar no PSol, partido que se colocou no lugar simbólico dos antigos ideais petistas.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Sonhadores

A resistência dos conservadores àquilo que é fora do comum é apenas o lado visível de seu medo de agir.
Essa resistência é a origem do desdém, repressão e preconceito em relação ao diferente.
No final, porém, o destino da humanidade sempre será traçado pelos sonhadores. Porque quem sonha torna real para si aquilo que quer e que, ironicamente, acaba por ser também o enrustido e inconsciente desejo de mudança dos conservadores. E juntos, paulatinamente, os sonhadores nos presenteiam com um novo mundo.
Há, contudo, um pré-requisito indispensável para ser sonhador: não temer a exposição e o ridículo.
Em geral, uma pessoa define outra como ridícula quando a vê realizando aquilo que ela própria gostaria de fazer, mas cuja coragem para a ação lhe falta.
Obrigado aos sonhadores pela audácia transformadora.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Sou assim, sou mulher!


Gosto dos olhares masculinos lançados sobre mim, sobre o meu corpo. Aquele olhar faminto, sedento, desejoso, que fazem suas pupilas seguirem à velocidade do meu próprio passo, que, de propósito, faço ligeiramente rebolante, mas sem descambar para o vulgar.
Afinal, que mulher sinceramente pode afirmar não possuir uma íntima satisfação em ser desejada?
O prazer proporcionado por um vestido colante, que deixa à imaginação alheia o contorno do que vai por baixo, não está no que vejo no espelho, mas revela-se a mim no olhar do outro. Ou da outra. O olhar do outro é o verdadeiro espelho de Narciso.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Liberdade!

Curiosa a reação das pessoas ao tema liberdades individuais.
Se perguntado a qualquer um sobre o que acham da liberdade em tese, ninguém será capaz de discordar de ser ela, a liberdade, um bem sagrado do ser humano. Liberdade na propriedade privada, liberdade de opinião, liberdade na expressão do pensamento, são espécies de liberdade unanimemente consideradas como direito ínsito à própria existência do homem.
Claro que toda liberdade envolve restrições, sempre à vista da liberdade do outro. A liberdade da pessoa encontra sua fronteira na de outra.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Sobre os royalties do petróleos

O enfrentamento da questão dos royalties do petróleo exige que se tenha ciência prévia de que uma federação é definida como um ente estatal constituído pela união de estados que, em princípio, poderiam ser independentes e soberanos. Os estados, ao resolverem integrar uma federação, resolvem renunciar à parte de sua soberania em prol da realização de um projeto comum de sociedade. Para tanto, reúnem-se numa só entidade nacional que passa a ser chamada de União.
Isso significa que o mar que faz fronteira com os estados somente pertence à federação porque, antes, o estado decidiu integrar a União.
Hipoteticamente falando, se o estado do Rio de Janeiro se desvinculasse da União, passando a constituir um país soberano, o mar com o qual se confronta imediatamente passaria a integrar o seu território, até o limite da plataforma continental.

domingo, 11 de novembro de 2012

Teórico alemão repreende STF

Claus Roxin é um dos mais influentes estudiosos do direito penal alemão, sendo o introdutor do princípio da bagatela na doutrina jurídico-criminal em seu país. Segundo essa doutrina, de forma bem resumida, não cabe a condenação de ninguém por lesão sem gravidade alguma. Ao lado disso, ele é, também, o principal teórico do domínio do fato, teoria largamente utilizada pelo STF no julgamento do chamado "mensalão" do PT.
Durante o julgamento, diversos juristas pátrios manifestaram incômodo com a perspectiva que nossa Suprema Corte adotou para a aplicação da teoria do domínio do fato. Segundo o STF, a mera posição hierárquica de José Dirceu conduziria necessariamente à presunção de que ele tinha o conhecimento e o comando dos supostos ilícitos praticados no esquema do "mensalão".

terça-feira, 6 de novembro de 2012

A farsa do julgamento do mensalão


A farsa do julgamento do chamado “Mensalão do PT”, que se desenhava, já está completamente demonstrada. O que chamo de farsa? Um julgamento casuístico, com entendimentos casuísticos, somente aplicáveis ao julgamento do caso do PT.
O primeiro ponto já foi escancarado pela Procuradoria Geral da República: a tese de caixa dois, rejeitada para o PT sob as mesmas circunstâncias, foi aceita para o mensalão do PSDB. Disso decorre a ausência de denúncia contra deputados envolvidos na caso do PSDB, ante a prescrição já consumada.

sábado, 3 de novembro de 2012

Mensalão no botequim


- E aí, Carlão, como vai, irmão?
- Beleza, tudo bem. Parece que agora as coisas vão começar a dar certo no país.
- Como assim, mano? Porque você acha isso?
- Ô, cara, é por causa desse tal de mensalão. Começaram a botar os políticos na cadeia, mano véio. Agora acaba a sem-vergonhice.
- E você sabe sobre o que é esse tal de mensalão?

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Dez pensamentos sobre a justiça sob o impacto do "mensalão"

Primeiro pensamento.
A aplicação e interpretação da lei pelo poder judiciário nunca foi sinônimo de aplicação de justiça em sentido amplo, como ideal de distribuição dos direitos inerentes à condição humana, e mesmo em sentido estrito, considerada a intenção dessa mesma lei.
Segundo pensamento.
A lei serve apenas para a manutenção do status quo político e econômico. Assim, se for produzida por um governo totalitário, servirá para manter o totalitarismo. Serve de exemplo os poderes judiciários da Alemanha nazista e da União Soviética. Nos dias de hoje, o judiciário dos Estados Unidos da América é um bom exemplo de pusilanimidade.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

A Barbie negra


Navegando pelo Facebook, deparei-me com uma postagem feita por pessoa amiga, na qual aparecia a fotografia de uma boneca Barbie negra, todavia com feições nitidamente finas. A fotografia supostamente intentava elogiar a beleza negra.
Uma outra pessoa, porém, arguta, fez uma crítica bem razoável, afirmando que a boneca não representava a beleza negra, pois possuía traços finos.
Refutando essa crítica, um outro comentarista postou o seguinte argumento: "É besteira acreditar que, todos os negros tenham que ter traços de negro; cabelo ruim, nariz achatado e outros mais; acreditem, existem pessoas de pele escura que tem os mesmos traços que as pessoas de pele branca, bem como brancos com cabelos crespos como os negros."

sábado, 6 de outubro de 2012

O domínio do fato


Para quem não sente simpatia pelo PT ou para os que, de tão revoltados com a corrupção, estão aplaudindo o linchamento jurídico promovido pelo STF, cabe chamar a atenção para a circunstância de que, a ser fixada essa jurisprudência do “domínio do fato”, todo e qualquer dirigente, público ou privado, passa a correr o risco de ser responsabilizado, civil e criminalmente, inclusive com pena de prisão, pelos atos ilícitos praticados por seus subordinados.
O STF promove a inversão de conquistas históricas obtidas pela civilização humana, como a que imputa ao Estado o dever de provar a culpa do acusado. O “domínio do fato” abre a possibilidade de condenação sem prova.
Nos Estados Unidos, por medo do terrorismo, autorizou-se o Estado a prender sem provas e por tempo indeterminado. Aqui, está-se autorizando a condenação sem provas, somente por correlação lógica entre o fato e o acusado (lógica do promotor e do juiz). Na Idade Média, o rei ou o bispo também podiam prender sem provas, baseados na própria e sagrada palavra.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

A inteligência é um bem?

A inteligência humana, avançada e racional, produz o pensamento e, por ser sua criadora, inexoravelmente o vicia na origem, sendo essa contaminação que faz engendrar, nos seres humanos, o pensamento antropomórfico, ainda que dissimulado, não aparente. Esse vício de origem constitui uma característica de toda inteligência e não propriamente da inteligência dos humanos. Deveras, se as formigas possuíssem inteligência consciente e racional, certamente seus pensamentos tenderiam a imaginá-las como os seres mais importantes do planeta, provavelmente criados à imagem e semelhança da Grande Formiga, criadora de todos os formigueiros e que sobre elas reina no formicéu.
Embora seja a inteligência humana a causa do surgimento da razão e da produção de conhecimento, trata-se de um atributo de valor dúbio. Não há fundamento algum para, por princípio, afirmá-la como um elemento incontroversamente positivo ou sem o qual a vida dos humanos seria pior.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

É ridículo


É ridículo sentir-se superior a outra pessoa por que se tem mais dinheiro ou poder. É falta de humildade.
É ridículo pretender que as outras pessoas estejam sempre disponíveis para si. É egolatria.
É ridículo ofender-se em função da opinião contrária manifestada por outra pessoa. É intolerância.
É ridículo considerar-se superior às pessoas em função da cor da pele ou etnia diferente. É falta de fraternidade.

sábado, 15 de setembro de 2012

O banal do amor

O escritor português José Luís Peixoto é autor de um pequeno texto chamado “O amor burguês”. Muito bonito, o texto fala sobre a ausência de poemas que descrevam o dia a dia do amor, como, por exemplo, um casal fazendo compras no supermercado. Segundo o autor, “é muito fácil confundir o banal com o precioso quando surgem simultâneos e quase sobrepostos”.
Perfeito.
De fato, ás vezes não percebemos como algo comum pode ser muito mais importante que qualquer coisa rara. Vou dar um exemplo radical: o ar que respiramos. Nada é mais importante e, ainda assim, mal nos damos conta de sua existência.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Pessoas pequenas

Impressionou-me um documentário produzido pelo Discovery Channel sobre nanismo, cujo link disponibilizo após o texto.
Há um senso comum que nos informa que a pessoa anã é, por definição, pequena. Porém, o quanto pequena é necessário ser para que a pessoa possa ser afirmada como anã?
Cientificamente, considera-se anã a pessoa cuja altura é inferior em mais de vinte porcento à estatura média. Atualmente, considera-se anão o homem adulto menor que um metro e quarenta e cinco e a mulher adulta menor que um metro e quarenta.