segunda-feira, 1 de abril de 2013

A laicidade em risco


Fundamentalismo religioso não é, como pode aparentar, o fanatismo da fé que conduz ao completo abandono da racionalidade pelo indivíduo e o faz cometer, em nome dos deuses, todo tipo de ato insano.
É possível a coexistência de um fundamentalismo de fé com o uso da razão, evitando que o crente fique totalmente cego à palavra de outro ser humano, o pastor. Nesse caso, o fundamentalista da fé agirá exclusivamente de acordo com o seu entendimento acerca dos ensinamentos religiosos, ou seja, daquilo que interpretar que emana dos livros sagrados, recusando-se a pautar seu comportamento pela interpretação alheia.
O fundamentalismo religioso racional é capaz de evitar o fanatismo irracional.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Segue em paz, Emílio!


O mundo, como representação da percepção individual do viver, é uma experiência subjetiva única. Cada pessoa contém em si um mundo próprio, singular, inigualável.
Cada um de nós existe num plano de experiência exclusivo, como fosse um palco montado com um cenário específico. Atuamos como protagonistas de nossas próprias peças, ladeados por um conjunto distinto de atores, as pessoas que entram em nossas vidas e a influenciam de alguma forma. Em certas situações, o cenário e o conjunto de atores podem ser parcialmente compartilhados por mais de uma pessoa, um dos outros atores. O palco, porém, jamais. Por que?
Porque a trama do que somos se desenrola dentro de nós e é lá que se localiza esse palco íntimo que chamamos alma, espírito ou consciência. O palco é o nosso mundo de experiência, mas não é, como pode parecer, o mundo material no qual vivemos, fora de nós. Esse mundo externo é apenas um grande teatro permeado por infinitos palcos que, vez ou outra, se tocam e misturam suas peças por alguns instantes.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Realização profissional


Dia desses escutei, involuntariamente, uma conversa entre duas pessoas, uma delas identificando-se como professor universitário, sobre a questão da realização profissional sem a necessidade de cursar alguma carreira de nível superior. Ambas concordaram que o modelo de pessoas como Lula, Steve Jobs e Bill Gates, que alcançaram sucesso profissional embora sem formação superior, era deletério para a sociedade, pois existem provas suficientes de que a formação universitária tende a levar a pessoa a alcançar maior nível de renda.

Longe de mim questionar o valor de uma formação universitária ou duvidar que essa formação permita o auferimento de maior renda na vida das pessoas. É fato. Isso, porém, diz mais sobre a necessidade de formação universitária ou sobre o tipo de sociedade que construímos?
Fico imaginando o que seria do mundo se todos resolvessem seguir carreiras que exigem nível superior. Seria um tal de advogado sendo gari, de engenheiro fazendo faxina em escritórios, de médico projetando filmes em cinema, etc.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Amigonas


Pelo fim dos preconceitos.
Pelo rompimento com os padrões inalcançáveis de beleza feminina.
Pela dignidade das mulheres.
Pelo fim dos sofrimentos causados pela manipulação dos corpos.
Pela aceitação do corpo natural.
Pela valorização da inteligência.
Pela ética espiritual.
Pelo desapego.
Pelo fim da futilidade.
Pela valorização dos sentimentos.
Proponho a criação da AMIGONAS - Associação de Mulheres Inteligentes, GOrdinhas, NAturais e Sexies.
Quem irá abraçar comigo essa causa?

Mulheres com pênis

Não existem diferenças intelectuais entre os gêneros, homens e mulheres são igualmente inteligentes. Não existe trabalho feito por homem que a mulher não possa desenvolver.
Mulheres suportam dores cuja intensidade os homens sequer imaginam.
Sob uma perspectiva biológica, todos os seres humanos são femininos na gênese e algumas dessas fêmeas originais são posteriormente transformadas em machos através da ação de hormônios sexuais.
Assim, de fato, não existem propriamente homens, mas mulheres com pênis. Na melhor das hipóteses, a palavra "homem" nada mais designa do que um tipo de fêmea modificada geneticamente.

domingo, 3 de março de 2013

Meio ambiente e consumo


Há quem defenda a ideia de que a proteção ao meio-ambiente não deve constituir uma questão intocável, argumentando que o consumo humano aumenta diuturnamente, de modo que o uso dos recursos naturais deve ser considerado sob a perspectiva das necessidades humanas.
É um pensamento capaz de conduzir a humanidade à ruína.
Todo e qualquer tipo de consumo provoca, em última análise, efeitos daninhos no meio-ambiente. Um incremento na produção agro-pecuária implica o crescimento das fazendas e desmatamento. O aumento na produção industrial, independentemente do ramo, corresponde a uma necessária elevação da extração mineral, ou seja, devastação ambiental no entorno das minas.

Teste de amor, prova de desamor

Certo homem casou com a mulher com quem sempre sonhara, formou uma linda família, tiveram três filhos e eram felizes. O casamento já durava quinze anos, sem problemas relevantes, e ele tinha convicção de que amava sua mulher. Porém, a partir de certo momento passou a não mais se sentir seguro quanto ao amor que a esposa lhe nutria. Embora ela fosse extremamente dedicada à família, carinhosa com ele e com os filhos, acreditava que ela gostava muito dele, mas tinha dúvida se isso era amor verdadeiro ou não.
Criada a dúvida, o homem entrou em depressão, que o conduziu a ter a ideia de testar os sentimentos da mulher. Para isso, contratou um ator lindíssimo cujo trabalho seria assediá-la e testar sua fidelidade. Para ajudar no teste, ele fingiu ter que viajar a serviço durante um mês. Ao retornar, foi informado pelo ator que a mulher, infelizmente, sucumbira aos seus encantos. Entristecido, o homem separou-se da mulher e perdeu a linda família que possuía.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Súbito pensamento


Um desses dias modorrentos, estava deitado no sofá de minha, lendo um livro, quando subitamente, do nada, uma voz em minha cabeça, como se fosse um pensamento meu, disse o seguinte:
“Filho, essa é a minha mensagem. Diga-a a todos aqueles que creem que, sob meu poder, minha palavra pode ser transmitida por qualquer uma das minhas criaturas, ainda que considerada vil pelas outras. Tenho ciência de tudo o que acontece, fato, pensamento ou ação, em todos os lugares e ao mesmo tempo.
Sou energia sem fim e posso tudo. Não preciso de intermediários ou orações para saber tudo aquilo que minhas criaturas necessitam, pois sei antes delas. São dispensáveis livros, sacerdotes ou templos que me consagrem e não exijo que qualquer contribuição, sacrifício ou ritual seja feito em meu nome, pois sou desprovido de necessidades, vaidade ou orgulho.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Relações virtuais


É comum especialistas afirmarem que a internet, ao estimular a virtualidade nas relações interpessoais, está afastando fisicamente as pessoas umas das outras e tornando rarefeito o sentimento que as envolve.
De fato, é possível que a internet favoreça o afastamento físico das pessoas, dada a comodidade de estabelecer amizades à distância. Porém, talvez não seja esse o principal fator de afastamento real entre as pessoas.
Atualmente, a maioria da pessoas reside em metrópoles, com todas as dificuldades de deslocamento que disso decorre. Metrópoles em geral, com raras exceções, costumam possuir sistemas de transporte coletivo ineficientes, o que já indispõe para sair de casa. Pelo mesmo motivo, na maior parte das grandes cidades, o uso de veículo próprio se multiplica, o que implica o agigantamento dos engarrafamentos. Enfrentado o trânsito, após muita demora no trajeto, encara-se o problema de ausência de local para estacionar. Desencorajador.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Dois universos


Fora de mim percebo infinito universo, pleno de tudo. Estrelas, galáxias, planetas e seres provocadores de sensações povoam esse universo. Todo ele insondável. Para sempre inexplicável. Um universo misterioso, fabulosamente caótico e ordenado ao mesmo tempo. Sua beleza causa-me admiração insaciável, sempre sedenta de sentir. Mas há perigo nesse universo exterior. Cometas, asteroides, vulcões e furacões lembram-me a fragilidade do corpo, recordam-me a finitude da existência.

O dilema de Cuba


Dia desses, conversava com uma pessoa amiga, a quem admiro pela inteligência e discernimento, sobre Cuba. Declarou ela que considerava Cuba um regime totalitarista opressor e que não acreditava na felicidade do povo cubano, tampouco no seu propalado eficaz sistema de saúde.
Retruquei que totalitarismo, segundo a definição da criadora do conceito, Hanna Arendt, não decorria da mera existência de uma ditadura, mas da existência de certas condições materiais no seio da sociedade, como a atomização dos indivíduos e a emergência de um sociedade de massas, sem identificação coletiva.

Disse, ainda, que qualquer análise sobre as condições sócio-econômicas nas quais vive o povo cubano estaria prejudicada pelo embargo econômico aplicado pelos Estados Unidos, com óbvios reflexos sobre a economia local.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

O milagre da fé


O Deus judaico-cristão-muçulmano é onipotente, onisciente e onipresente. Em síntese, pode TUDO. Portanto, poderia ter criado um mundo perfeito, sem fomes, sem doenças, sem miséria, onde todos tivessem uma moradia decente e confortável. Enfim, um mundo feliz, fraterno e igualitário.
Porém, assim não o fez, preferindo produzir um mundo com poucos ricos e muitos miseráveis. Com doenças terríveis cujas curas somente são acessíveis aos ricos. Deus resolveu deixar os seres, humanos ou não, comerem-se uns aos outros, literal e figurativamente.

No Velho Testamento não havia o Diabo. Deus era responsável por todas as coisas, fossem boas ou más, e, para deixar isso bastante claro, vez ou outra arrasava uma cidade inteira com todos os seus habitantes, homens, mulheres e crianças. Ou mandava um ferrenho crente matar o próprio filho a título de sacrifício feito em seu nome.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

147 empresas controlam 40% da economia mundial



Texto extraído do blog "Resistências e Resiliências"
Quando a ciência se dá conta dos 1% que dirigem a economia.
Fonte: Les Dernieres Nouvelles du Monde (via Imediata).
Trad: Mario S. Mieli
Três pesquisadores suíços destrincharam recentemente a rede mundial de multinacionais, servindo-se de uma base de dados da OCDE (Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômicos) agrupando mais de 30 milhões de atores do mercado econômico. Os cientistas chegaram a uma síntese, agrupando-os sob a forma de uma rede de 43.060 multinacionais. Suas relações de força mútuas foram também reconstituídas conforme a perspectiva da propriedade: uma empresa que possui mais de 50% de ações de uma outra foi considerada como detentora do controle acionário dessa última.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Falta de fé


Grande parte dos religiosos, principalmente os que comandam as igrejas, não creem em Deus.
Se possuíssem fé autêntica, não contrariariam a vontade divina do livre-arbítrio através da imposição de comportamentos e valores, como historicamente sempre fizeram.
Se Deus nos deu a liberdade, não cabe a qualquer ser humano aprisioná-la em dogmas.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Um sistema econômico natural


Silvio Gesell (1862-1930) foi um comerciante alemão, teórico de economia, ativista social e anarquista, que propôs uma forma alternativa, utópica, de viver socialmente, que ele denominou de "economia natural" e que era diferente do comunismo idealizado por Marx, seu contemporâneo.
Segundo ele, o planeta Terra pertence a todas as pessoas, que são cidadãs do mundo e não apenas de seus países. Defendia que não havia distinção entre as pessoas por motivo de raça, gênero, classe, riqueza, religião e idade. Advogava o fim das fronteiras nacionais.
Gesell entendia que a economia encontrava fundamento no egoísmo humano, no fato das pessoas priorizarem seus auto-interesses, o que ele percebia como natural e salutar, pois é essa espécie de sentimento que põe as pessoas em ação, nelas incutindo a vontade de produzir para satisfação de seus desejos e necessidades. Sendo assim, todo e qualquer sistema econômico, para ser bem sucedido, deve levar em conta essa característica humana. Esse é o motivo de ter denominado o sistema por ele proposto de "economia natural" ou "economia de moeda livre".

domingo, 6 de janeiro de 2013

Direita e esquerda acabaram mesmo?


É cada vez mais frequente ouvir o mantra de que o socialismo está sepultado, que não há mais diferença entre direita e esquerda e que luta de classes cheira a naftalina. A repetição desse discurso, cultivado até o nível da exaustão pela indústria cultural, vem sempre apoiada em depoimentos de especialistas sérios e supostamente respeitados. Por conta disso, acaba se tornando um lugar-comum na boca de muitas pessoas do povo, inclusive os que possuem bom nível intelectual.
A prevalecer a tese de fim da dialética esquerda x direita, isso implica que, ao menos na opinião de seus defensores, desapareceu o fosso abissal que existia entre alguns milhares de pessoas que possuem cerca de oitenta porcento da riqueza mundial e os demais sete bilhões de pessoas que estão de posse do que resta, ou seja, dividindo vinte porcento da riqueza, bilhões delas em condições de miséria ou extrema pobreza, sem ter o que comer.

O radicalismo político no Facebook


Esse texto reproduz os comentários acerca de algo postado no Facebook. O título do post era "A tônica do lulismo é a manipulação de números" e era ilustrado pela imagem acima, do jornal O Globo. Eis os comentários:
"Facer 1 - Realmente, O Globo, Veja, Folha de São Paulo e Estado de São Paulo são fontes de informação absolutamente isentas. Qualquer otá.. quer dizer, pessoa pode confiar inteiramente nesses veículos. Aliás, se O Globo disse deve ser verdade, pois trata-se de um jornal que sustentou o golpe militar, lançou o Collor de Mello do nada somente para combater o Lula e subsidiou a história da Escola Base de São Paulo.
Facer 1 - Detalhe que esqueci: a revista Veja foi que criou a matéria sobre a Escola Base, assim como noticiou a fantástica história do Boimate, mistura de carne de vaca com tomate criado geneticamente. Um primor de jornalismo.

O maniqueísmo da imprensa

A partir de uma análise restrita aos meus textos, é legítimo imaginar-me como um petista de "carteirinha", pronto a defender radicalmente o PT contra toda e qualquer crítica e posicionar-me a favor de todo ato ilegítimo praticado por algum representante do partido.
De fato, sou simpatizante do PT, mas não de forma acrítica. Não compactuo com atos ilícitos, com corrupção. É dever de todo cidadão repudiar desvios de conduta praticados contra a sociedade e contra o direito natural alheio.
Antes da segunda eleição de Lula, decepcionado com a falta de iniciativa do partido no sentido de promover uma reforma política profunda e com sua opção pela manutenção da velha política de acordos pela governabilidade com partidos nefastos, desisti de votar no PT e passei a votar no PSol, partido que se colocou no lugar simbólico dos antigos ideais petistas.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Sonhadores

A resistência dos conservadores àquilo que é fora do comum é apenas o lado visível de seu medo de agir.
Essa resistência é a origem do desdém, repressão e preconceito em relação ao diferente.
No final, porém, o destino da humanidade sempre será traçado pelos sonhadores. Porque quem sonha torna real para si aquilo que quer e que, ironicamente, acaba por ser também o enrustido e inconsciente desejo de mudança dos conservadores. E juntos, paulatinamente, os sonhadores nos presenteiam com um novo mundo.
Há, contudo, um pré-requisito indispensável para ser sonhador: não temer a exposição e o ridículo.
Em geral, uma pessoa define outra como ridícula quando a vê realizando aquilo que ela própria gostaria de fazer, mas cuja coragem para a ação lhe falta.
Obrigado aos sonhadores pela audácia transformadora.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Sou assim, sou mulher!


Gosto dos olhares masculinos lançados sobre mim, sobre o meu corpo. Aquele olhar faminto, sedento, desejoso, que fazem suas pupilas seguirem à velocidade do meu próprio passo, que, de propósito, faço ligeiramente rebolante, mas sem descambar para o vulgar.
Afinal, que mulher sinceramente pode afirmar não possuir uma íntima satisfação em ser desejada?
O prazer proporcionado por um vestido colante, que deixa à imaginação alheia o contorno do que vai por baixo, não está no que vejo no espelho, mas revela-se a mim no olhar do outro. Ou da outra. O olhar do outro é o verdadeiro espelho de Narciso.